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rss  Vol. XIII - Nº 234         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Junho de 2020
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Editorial

Política flor-de-lis

Por Carlos de Jesus

Estiveram todos em congresso. Foi o Conselho Geral do Partido Liberal do Quebeque (PLQ) na cidade de Lévis. Foi o congresso da Ação Democrática do Quebeque (ADQ) em Granby. E foi o congresso de circunscrição de Maskinongé e Champlain, do Partido Quebequense (PQ).

Nos dois últimos, a tónica foi posta na denúncia da «cumplicidade» do governo liberal com o mundo do crime organizado, face à recusa do primeiro-ministro quebequense Jean Charest em abrir uma comissão pública de inquérito sobre as relações do mundo do crime com a indústria da construção e o financiamento dos partidos políticos. A tal ponto que o presidente da ADQ, Gérard Deltell acusou o primeiro-ministro quebequense de ser o «padrinho» (no sentido de patrão mafioso) da grande família liberal.

No congresso liberal ainda houve um militante que se levantou para apresentar como ponto da ordem do dia a pertinência da dita comissão de inquérito, mas, infelizmente, não houve ninguém na sala para o secundar.

Os adequistas - centro direita e autonomistas - procuraram mostrar-se como a verdadeira força da direita de que se reclamam agora os ex-pequistas Legault e Facal. Mas, sobretudo, para reforçar o seu apoio ao novo chefe Deltell que foi assim reconfirmado como dirigente do partido com 95 por cento dos votos presentes. Sob a liderança do antigo dirigente e seu criador, Mario Dumont, o partido tinha conhecido um certo élan, que os jovens e inexperientes recrutas depressa fizeram arrepender a quem neles tinha votado. Com a partida de M. Dumont, foi a descida aos infernos. O Partido continua com um défice, não só eleitoral, como financeiro de 640 mil dólares.

Para a reunião dos pequistas - independentistas -, embora se tratasse dum congresso regional, veio à baila o abaixo-assinado dum grupo de 50 jovens militantes que desejam ver o calendário do próximo governo pequista dominado pelo referendo sobre a independência do Quebeque. Os militantes presentes preferiram aderir à posição da líder Pauline Marois que prefere, quando chegar ao governo, fazer um referendo em tempo oportuno, quando tiver reunido as «condições ganhantes». O presidente do executivo do condado de Champlain, Claude Bourgeois, propôs um acrescento para convencer os jovens rebeldes, no qual se lê «o Partido Quebequense compromete-se, como partido governamental, a organizar uma verdadeira mobilização popular fundada nas motivações profundas de fazer do Quebeque um país (independente), ou seja, a afirmação ao fim dum longo percurso histórico, da sua identidade nacional e da sua existência política».

No Conselho Geral do PQL - federalistas -, o líder, Jean Charest, aproveitou a ocasião para defender a sua posição quanto aos elos da máfia com o mundo da política e da construção, ou seja que a corrupção é do foro da polícia, e que foi para isso que criou a «Operação Martelo», preferindo atacar-se aos seus adversários pequistas, com vista à eleição parcial que vai haver na circunscrição de Kamouraska-Témiscouata.

Ao contrário do que se passou nas assembleias políticas do PQ e da ADQ, o PLQ evitou discutir do assunto do dia ou seja a da pertinência da dita comissão pública de inquérito. Para a Oposição, e porventura com razão, tal recusa ilustra bem que o partido no poder tem medo de ver denunciados os seus meios de financiamento e as suas ramificações com o mundo do crime organizado. Para Jean Charest, tudo parece indicar que ele quer evitar o exemplo do antigo primeiro-ministro canadiano, Paul Martin, que ao desencadear a Comissão Gomery para investigar a corrupção dos contratos de publicidade do governo federal e limpar-se do escândalo, acabou por selar a sua derrota eleitoral. Preso por ter cão, preso por o não ter...

Em Lévis, Jean Charest falou principalmente dos sucessos económicos da sua governança: «Atravessámos, melhor que ninguém no Ocidente, a pior crise económica dos últimos 70 anos. Mesmo em tempo de crise, protegemos melhor os postos de trabalho que o PQ em tempo de crescimento».

Como lembrou o líder liberal, no decorrer do último ano, criaram-se 113 500 novos empregos no Quebeque, ou seja 30% de todos os novos postos de trabalho do Canadá. «Somos o governo da economia. É a marca de comércio do PLQ. O mundo inteiro procura sair da crise económica que tem causado tanto desemprego, dívidas e inquietações. Em toda a parte se procura uma solução menos no mundo dos pequistas» - declarou o primeiro-ministro ironicamente, para gáudio da sala.

Se a situação económica do Quebeque é deveras invejável em relação à grande maioria dos outros países, como bem sublinhou recentemente o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de passagem por Montreal, a verdade é que a opinião pública não se comove. E, facto inédito nos anais da história da Assembleia Nacional do Quebeque, foi autorizada uma petição pública pedindo a demissão de M. Jean Charest do seu lugar de primeiro-ministro. Segundo os termos da petição, o requerimento é baseado em três princípios: «Pela recusa do primeiro-ministro em abrir uma comissão pública de inquérito sobre a indústria da construção, a sua recusa em impor uma moratória sobre a exploração do gás de xisto e a sua recusa em negociar as medidas do Orçamento de 2010». Os autores afirmam também que o primeiro-ministro deve renunciar «por não querer colaborar com a população».

De Pauline Marois, Gérard Deltell e Jean Charest, é a primeira quem mais granjeia as intenções de voto nas últimas sondagens, mas com uma percentagem muito aquém do que seria de esperar no contexto da impopularidade do atual primeiro-ministro. Como Jean Charest ainda tem mais dois anos para governar - uma eternidade em política - tudo pode acontecer até lá. Como, por exemplo, um novo líder, porventura uma nova líder à frente dos liberais. Com a questão referendária às costas, o PQ tem uma grande encosta a subir. E, com um défice de simpatia e de finanças, a ADQ, se não for fagocitada pela eventual coligação dos ex-pequistas, vai desaparecer do mapa eleitoral nas próximas idas às urnas.

Editorial
Estiveram todos em congresso. Foi o Conselho Geral do Partido Liberal do Quebeque (PLQ) na cidade de Lévis. Foi o congresso da Ação Democrática do Quebeque (ADQ) em Granby. E foi o congresso de circunscrição de Maskinongé e Champlain, do Partido Quebequense (PQ).
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