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Vol. XIV - Nº 228 Montreal, QC, Canadá -
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TOTEM

Inês Faro

Por Inês Faro

Em 1859 o naturalista britânico Charles Darwin surpreendeu a comunidade científica demonstrando que o ser humano é o resultado de uma evolução biológica, por via de processos de seleção natural ["A Origem das Espécies"]. O mundo espantou-se ao ouvir que não passávamos de descendentes dos macacos, numa versão mais sofisticada dos nossos primos quadrúpedes.

Agora a evolução das espécies chega ao circo. E não, não me refiro aos elefantes, aos leões ou aos macacos que frequentemente entretêm os amantes da arte circense. Escrevo sobre "TOTEM", o 28º espetáculo do mais internacional dos circos canadianos, o Cirque du Soleil.

 

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Uma criação de Robert Lepage, a segunda para circo, "TOTEM" que quer dizer animal, planta ou objecto considerado, entre certas tribos ou clãs, como antepassado do homem, conta-nos a história da evolução humana, desde o seu estado original anfíbio até à vontade de voar. Numa viagem pelas teorias criacionistas, a equipa do Cirque du Soleil põe em diálogo a ciência e as lendas das várias civilizações, destacando as semelhanças entre as várias espécies, mas também a aptidão do Homem para sobressair no conjunto delas, sobretudo pela capacidade de sonhar e de ser capaz de recriar a natureza numa tenda de circo.

O espetáculo começa a ocupação do palco por uma carapaça de uma tartaruga gigante, que representa as origens da vida na terra. Dentro dela vivem diferentes tipos de anfíbios e peixes, figurados por magníficos trapezistas.

 

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Ao longo das várias cenas os artistas do Cirque du Soleil surpreendem pela agilidade, pela sincronização dos movimentos e pela frescura das coreografias que incluem jogos com pratos, patins, bolas fluorescentes, trapézios e barras russas, entre outros.

O guarda-roupa destaca-se, uma vez mais, pela originalidade e exuberância a que já nos habituou o Cirque du Soleil. Nos fatos justos dos artistas, são recriadas as texturas e as formas da mãe-terra. Mais do que pernas e braços, os bailarinos tem caudas, escamas, penas e asas. São anfíbios, pássaros, chefes de tribo, cientistas e salva-vidas numa praia dos dias de hoje. Os acrobatas saltam, contorcem-se e procuram o equilíbrio ao som de cânticos ameríndios e africanos.

As imagens de fundo não são menos sensacionais. Projectadas no palco - da autoria do luso-descendente Pedro Pires, já entrevistado pelo LusoPresse (20 de maio), partimos em viagem até à Islândia, ao Hawai, à Costa Rica e à Guatemala. Durante as duas horas de magia que passam a correr na tenda montada no velho porto, somos convidados a conhecer o interior de um vulcão, a ouvir o rebentar das ondas no areal, a presenciar e a lamentar a desertificação de tantos lagos.

"TOTEM" foi considerado como um das melhores produções do afamado Cirque du Soleil e muito mais do que um momento de entretenimento, serve também para despertar consciências. É um espetáculo especialmente oportuno numa época em que se repensa a relação do homem com a natureza e em que se sentem e negociam as consequências do aquecimento global...

Em exibição desde abril em Montreal, o espetáculo parte agora para a cidade do Quebeque de 22 julho a 29 de agosto, seguindo depois para a Europa, com estreia em Amesterdão, no início de outubro.

Para saber mais:

www.cirquedusoleil.com

http://lusopresse.com/2010/224/Pedro_Pires.aspx


Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor
LusoPresse - 2012

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