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| Vol. XIV - Nº 228 | Montreal, QC, Canadá - | ||||||
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Primeira fase do MundialSurpresas positivas e negativasPor Norberto AguiarTerminado o Campeonato do Mundo de Futebol África do Sul2010, decidimos analisar as suas principais incidências, a começar pela Primeira Fase, onde as equipas, divididas em oito grupos, jogam entre si o apuramento para os oitavos-de-final. Depois, num segundo texto, analisamos, nesta mesma edição, o percurso a eliminar que medeia os oitavos e a grande final. Vejamos entretanto o comentário que nos mereceu a Primeira Fase desta competição que todos elogiaram pela sua boa organização. Grupo «A» França dececiona Contra todas as expectativas, a França, possuidora de um excelente lote de jogadores - Ribery, Malouda, Evra, Abidal... - e vice-campeã mundial, acabou eliminada na fase de grupos, ficando mesmo em último lugar, com apenas um ponto, obtido contra o Uruguai, que ficou em primeiro, com sete pontos, resultado das vitórias contra a África do Sul (3-0) e contra o México (1-0), mais o empate com a França. Além do Uruguai, que foi surpresa mas pela positiva, foi o México que avançou para os oitavos-de-final, eliminando por isso a anfitrião África do Sul, que averbou os mesmos quatro pontos dos Azetecas, mas com pior diferença de golos. Neste grupo, por ser a equipa da casa, todos queriam ver a África do Sul apurada para a segunda fase... Mas isso não aconteceu, apesar da boa réplica que deu. Três golos a menos entre marcados e sofridos fizeram toda a diferença. É dessa forma que a África do Sul acaba por ficar na História do Campeonato por ter sido a primeira Seleção caseira a não se qualificar para a segunda fase. Quanto aos problemas disciplinares na equipa da França, passemos adiante... Grupo «B» Argentina invicta Num grupo em que logo à partida se deu todo o favoritismo à Seleção da Argentina, os resultados vieram confirmar isso mesmo, consubstanciados nos nove pontos conquistados pelos argentinos, resultantes das três vitórias nos três jogos, e com um diferencial de golos (7-1) que não deixa dúvidas. Na segunda posição apareceu uma Coreia do Sul com bom futebol e muita genica e que deu para vencer (2-0) a antiga campeã da Europa Grécia e empatar (2-2) com a Nigéria, só perdendo para a Argentina (4-1). Mas mesmo aqui, contra os homens de Maradona, ficou a sensação de que os asiáticos podiam ter feito melhor... No entanto, um autogolo ajudou sobremaneira no abrir do caminho vitorioso aos argentinos. De quem se esperava mais era da Nigéria, antiga campeã olímpica e vista como uma das melhores equipas de África. Afinal, os nigerianos depois de um bom jogo inicial diante de Messi e companhia, onde perderam pela diferença mínima (0-1), dando boa réplica, quedaram-se pelo último lugar. Grupo «C» Estados Unidos líderes Os Estados Unidos fizeram a sua obrigação ao classificarem-se em primeiro lugar neste grupo que tinha a Inglaterra como a grande favorita - opinião dos analistas mais desatentos, ou então mal-intencionados! Para uma equipa que derrotou a Espanha (2-0) na meia-final da Taça das Confederações e deu água pela barba ao Brasil (2-3) na final da mesma prova, no ano passado, também na África do Sul, os analistas deviam ter tido mais consideração pelos americanos que, como confirmaram uma vez mais nesta prova, estão aí para durar. Infelizmente, para os americanos, também os árbitros não tiveram muito respeito pelo valor da sua Seleção nesta competição, pois que em caso de dúvida apitaram sempre em seu desfavor. Dois golos limpos anulados podiam ter mandado com os americanos para casa ainda na fase de grupos, o que teria sido uma injustiça tremenda, visto a qualidade do seu futebol. A acompanhar os Estados Unidos, seguiu em frente a Inglaterra, não sem grandes dificuldades, valendo-lhe a vitória - a única - diante da Eslovénia, uma das equipas revelação da primeira fase. Grupo «D» Espetacular a Alemanha? Se espetacular é vencer a Austrália por 4-0, com um jogador a mais durante grande parte do desafio e beneficiando ainda de um erro clamoroso do keeper contrário, eu não sei o que é ser espetacular... isto na medida em que a Alemanha, nos outros dois jogos teve imensas dificuldades para vencer a Gana (1-0); já para não falar na derrota (0-1) que averbou diante da Sérvia, uma das equipas mais negligenciadas da prova devido ao momento político difícil que vive o seu país... Decerto que muitos dos analistas não viram a carreira da Alemanha neste grupo como nós... Não fora a goleada sofrida diante dos alemães, nas circunstâncias já descritas, e muito possivelmente a Austrália teria sido uma das equipas presentes nos oitavos-de-final. Repare-se que os «cangurus», nos dois restantes jogos, bateram (2-1) a Sérvia, a mesma que havia batido a Alemanha, e empataram com a Gana, uma poderosíssima formação africana. Apesar disso, quem passou foi a Gana, apesar de possuir os mesmos pontos da equipa da Oceânia, mas com o diferencial de pontos a ser a seu favor. Grupo «E» Holanda impõe-se De todos os grupos, foi a Holanda que nos pareceu a equipa que melhor desempenho teve nos três jogos que disputou. É verdade que entre golos marcados e sofridos teve uma vantagem de menos dois (6 positivos contra 4) do que a Argentina no seu grupo, mas também é de considerar que o Japão fez melhor do que a Coreia do Sul, no mesmo segundo lugar de acesso ao «passo» seguinte. Quem, neste grupo, tinha obrigação de fazer melhor, era a Dinamarca, vencedora do grupo de apuramento onde esteve colocado Portugal (e a Suécia). Afinal, duas derrotas (0-2 e 1-3) contra a Holanda e o Japão deram cabo das pretensões escandinavas... Quanto à quarta equipa deste grupo, os Camarões, a sua prestação foi pouco menos que desastrosa, ao não conseguir amealhar nenhum ponto. Como destaque neste grupo, a grande forma de alguns jogadores nipónicos, caso de Tanata, asiático nascido no Brasil, de Honda; Sneijder, o melhor holandês, e Robben. Grupo «F» Itália desastrosa Campeã do Mundo em 2006 nas condições em que todos nós sabemos - levada ao colo até ao jogo final, contra a França, nomeadamente na vitória mais do que injusta diante da Austrália... -, a Itália saiu do Campeonato sem glória, não vencendo sequer uma das três partidas que disputou. Primeiro empatando com o Paraguai, uma formação sul-americana sem tradição nesta competição e, depois, ainda mais espetacular, voltou a empatar com a Nova Zelândia, uma equipa do «Terceiro Mundo», isto por disputar o Campeonato da Oceânia, onde defronta equipas como as Ilhas Samoa, Nova Caledónia, Tahiti, Vanuatu, etc... Conhece o leitor futebolisticamente estes países e/ou regiões? Certamente que não. Pois a Itália, com um lote de excelentes jogadores, um treinador campeão do Mundo em 2006, não conseguiu melhor que um empate diante da Nova Zelândia, que já nem tem o seu parceiro de Continente, a Austrália, por esta ter considerado que jogar na Zona de que faz parte não é conveniente ao desenvolvimento do seu futebol. Encostada à parede, a Itália, mercê de resultados conjugados, ainda poderia ter passado à fase seguinte, bastando-lhe para isso vencer no último jogo contra a Eslováquia, uma equipa neófita neste tipo de competição, já que acaba de se separar da República Checa, essa sim, já com algum palmarés desde que se tornou independente. Afinal, ainda fez pior que nos dois jogos anteriores, perdendo o desafio, por 3-2, que lhe indicou o caminho de casa... Com o belo resultado que averbou diante dos transalpinos, a Eslováquia surpreendia o mundo do futebol e passava assim à fase seguinte juntamente com o Paraguai, que, curiosamente se valeu da vitória (2-0) diante desta mesma Eslováquia, pois que nos outros dois jogos (Itália, 1-1 e Nova Zelândia, 0-0) não foi além de um empate... Grupo «G» «Grupo da morte», sim ou não? Sem brilhantismo, mas com realismo, Portugal ganhou o acesso à segunda fase do Campeonato, batendo a Coreia do Norte, por 7-0, a maior goleada da prova, e empatando, ambos a zero, os jogos com o Brasil e Costa de Marfim. Para os fanáticos, aqueles mesmos que apregoavam que Portugal tinha equipa para ser campeão do Mundo, o apuramento de Portugal para os oitavos-de-final não foi melhor por causa de duas coisas: a incompetência do treinador e a fraca prestação de Cristiano Ronaldo. Curiosamente, nestas críticas, também corroboradas por uma maioria de jornalistas, não entra a qualidade dos adversários... Em nossa modesta opinião, a Seleção Nacional fez o que tinha a fazer, ganhar o acesso aos oitavos-de-final, embora metida num grupo que desde a realização do sorteio foi visto como o mais difícil. E mais difícil por contar com o Brasil, mas também com a Costa de Marfim, a seleção africana com a maior quantidade e a melhor qualidade de jogadores a jogar nos melhores clubes europeus, do Barcelona ao Arsenal, do Manchester City ao Chelsea, Marselha, Hamburgo, Estugarda, Sevilha e por aí adiante. Dos 23 jogadores escolhidos, apenas um não joga na Europa. A juntar a isso, desta vez os marfinenses contrataram um treinador de prestígio, para mais excelentemente identificado com o futebol português. Ainda reforçando a nossa tese, diremos que não fosse o braço, primeiro, e a mão, depois, de Fabiano no lance do segundo golo do Brasil diante dessa mesma Costa de Marfim, e talvez quem tivesse passado fosse mesmo o conjunto africano que, repetimos, em nossa opinião, teve (tem) equipa para jogar com o Brasil e Portugal em qualquer continente e em qualquer prova, isto por mais que custe aos do contra... Quanto às críticas ao selecionador e a Ronaldo, o que temos para dizer, aliás, já aqui deixado preto no branco, é que deixem os dois homens trabalhar em paz, pois que o bom desempenho de ambos só pode resultar se houver harmonia e tranquilidade à volta do grupo. Grupo «H» Espanha por um cabelo... Agora todos falam que a Espanha é a melhor equipa do mundo! Até nós somos dessa opinião. Contudo, na fase de grupos, a Espanha esteve a um cabelo de ser eliminada, coisa que já ninguém se lembra. A confirmar isso, basta olhar para os resultados: derrota (0-1) perante a Suíça, e vitória apertadíssima (2-1) contra o Chile, no jogo decisivo, não deixaram de pôr em causa a capacidade da atual campeã da Europa, e agora do Mundo!, que apenas venceu (2-0) com alguma facilidade as Honduras. Mas como o futebol, que é um jogo, não tem lógica, então a Espanha, que mesmo assim dominou os seus adversários territorialmente, podia ter sido eliminada e agora não era, com toda a certeza, a campeã e melhor equipa do Mundo! De resto, o Chile, que foi prejudicado pelas incidências do próprio jogo diante do seu ex-colonizador, podia muito bem ter eliminado «la roja». Aliás, não faltaram ocasiões para isso. Mas, é caso para dizer que as estrelas estavam - como se viu mais adiante na competição - alinhadas em função do êxito espanhol. Quanto à Suíça, segunda equipa que conseguiu vencer a Espanha nos últimos três anos - a outra foi os Estados Unidos - pode queixar-se de si mesma, isto na medida em que não foi capaz de vencer as Honduras no último jogo. Caso vencesse os hondurenhos, por 2-0, seriam os suíços a segunda equipa a passar aos tão ambicionados oitavos. |
Acordo Ortográfico
Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade de referir noutro local. Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova. Contamos com a compreensão dos nossos leitores. Carlos de Jesus Diretor |
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