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| Vol. XIV - Nº 228 | Montreal, QC, Canadá - | ||||||
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Campeonato do Mundo, segunda faseAs surpresas continuaram...Por Norberto AguiarOs analistas, alguns de meia-tijela, mas que por força dos órgãos de Informação que representam têm «cobertura», continuaram a dar palpites descabidos, numa safra de avanços e recuos de se lhes tirar o chapéu. Primeiro era que a Argentina era uma excelente equipa, mas com Maradona não chegava a lado nenhum. Mais tarde, com os argentinos a ganharem e a fazerem boas exibições, passaram a ver a Selecção das Pampas como uma das mais sérias candidatas ao título, chegando mesmo ao cúmulo de passarem a admirar o até então «incompetente» Maradona. Depois, passaram a idolatrar a Alemanha, a que, na opinião deles, praticava o melhor futebol do Mundial e que por isso só pararia na final. Não é de admirar portanto tais afirmações, pois «enfiar» 4 golos a zero na Argentina, só de uma equipa do outro mundo. Entretanto vem a Espanha e lá se vai a Alemanha. Então, a fuga para a frente foi a falta de Thomas Mueller, que de repente passou a ser o homem de todas as soluções. Houve mesmo quem dissesse que se ele tivesse jogado contra a Espanha, a Alemanha não teria sido eliminada. Adivinhos são o que eles são, meus caros leitores, isto para não dizer outra coisa. Eliminatórias finais Para melhor compreensão do nosso texto, dividiremos o quadro dos jogos dos oitavos até ao jogo final em lado «A» composto pelas equipas do Uruguai, Chile, Coreia do Sul, Brasil, Estados Unidos, Eslováquia, Gana e Holanda, e lado «B», com as formações da Argentina, Portugal, México, Espanha, Alemanha, Japão, Inglaterra e Paraguai. Assim, no lado «A», o acasalamento dos oitavos ficou ordenado da seguinte forma, com os seguintes resultados: Uruguai - Coreia do Sul, 2-1 A equipa sul-americana acabou por vencer os asiáticos, mas com muita sorte, e em parte pela aselhice do guardião coreano. Na pior das hipóteses, este jogo teria sido decidido no prolongamento ou mesmo na marcação das grandes penalidades, tal o equilíbrio de forças em presença. Estados Unidos - Gana, 1-2, após prolongamento De novo aqui se registou um forte equilíbrio de forças, com um futebol mais técnico da parte dos americanos e de maior pujança física dos africanos. Daí que o jogo tenha sido equilibrado ao ponto de ser preciso ir a prolongamento. Neste, a Gana, mais feliz, aliás, como tinha sido no início do jogo, marcando um golo rapidamente, quando ainda os americanos estavam a apalpar o terreno, foi decisivo. A perder, mas sabendo-se injustiçada, a formação Ianque forçou o ataque de forma a chegar ao empate e, depois, se possível, à vitória. Mas todas as tentativas foram infrutíferas, contando ainda com um erro flagrante do árbitro que fez vista grossa a uma grande penalidade sobre Donavan. No espírito de muita gente estava a preservação, em prova, da última equipa africana. De qualquer maneira, a Gana não era nenhuma pêra doce, pois ostentava o título de vice-campeã de África, conquistado em janeiro passado, só perdendo o título para o Egipto, na altura já bicampeão africano. Holanda - Eslováquia, 2-1 Não foi por acaso que a Eslováquia eliminou a Itália desta fase. E o resultado, assim como o jogo jogado contra a Holanda provou isso mesmo, uma equipa bem organizada e com um contra-ataque perigosíssimo. Mas o poderio da Holanda era evidente e por isso acabou por ditar as suas leis. Mas que os eslovacos saíram do torneio de cabeça erguida, lá isso é um facto mais do que evidente. Brasil - Chile, 3-0 Depois de não ter convencido na fase de grupos, o Brasil tentou entrar nesta segunda fase com mais fogosidade e melhor futebol, o que aconteceu neste jogo, apesar de estar a defrontar uma equipa bastante habilidosa, que acabara de oferecer grande resistência aos espanhóis. Três golos a zero foram o resultado do desprevenido atrevimento chileno. Tivesse jogado mais cautelosamente e podia ser que... Agora, viremo-nos para a parte do lado «B». Argentina - México, 3-1 Todos ainda estarão lembrados daquele golo fora de jogo de Tevez, que elevou a marca para 2-0, o que, desde logo, tranquilizou as tropas de Maradona. O resto do jogo, mesmo se pareceu equilibrado, não deixou hipóteses aos mexicanos, algo abalados com um golo daqueles e sobretudo naquele momento, que foi decisivo, sem sombra de dúvidas. De resto, sem erro tão flagrante do árbitro, ainda hoje não sabemos que resultado podia ter acontecido. De recordar que há quatro anos ganhou, sim senhor, a Argentina, mas com recurso ao prolongamento e depois às marcas de grande penalidade. Alemanha - Inglaterra, 4-1 Aqui está mais um jogo em que a influência do árbitro, em nossa opinião, foi decisiva na ida para casa da Inglaterra. Porque se o árbitro tem validado o golo do empate (2-2), depois de ter estado a perder por 0-2, a Inglaterra acabaria por virar o jogo a seu favor e seriam então os alemães a lidar com o stress da grande reviravolta adversária. Especulação nossa? Talvez. Mas as «leis do jogo», num caso destes quase sempre pendem para quem dá a volta ao jogo por cima. E neste caso quem se arriscava a isso era naturalmente os homens de Capello. Assim não foi e uma equipa tida à partida como candidata ao importante troféu e com muita coisa a provar ficava-se pelos oitavos-de-final, em mais uma tentativa falhada... Paraguai - Japão, 0-0 (5-3 em grandes penalidades) Não houve golos neste Paraguai - Japão, mas houve qualidade no futebol apresentado, mercê da presença de excelentes executantes quer duma quer doutra equipa. Ganhou na lotaria das grandes penalidades o Paraguai. Mas, para sermos corretos temos de dizer que os japoneses estiveram à altura dos seus adversários, se não mesmo melhores, ao demonstrarem igual condição técnica mas superior velocidade e mais resistência física. Alguma ingenuidade? Talvez seja aqui que os japoneses terão de evoluir um pouco mais se quiserem, em 2014, no Brasil, chegar mais à frente na competição. Espanha - Portugal, 1-0 Ao contrário de muita gente, vimos o desafio entre Portugal e Espanha com uma boa dose de realismo, não estivesse Portugal defrontando a campeã da Europa, formada por jogadores do Barcelona e Real Madrid, duas equipas da elite mundial. Logo, isto quer dizer que defrontávamos uma equipa entrosada - seis barceloneses e três madrilenos - e plena de vedetas, mas vedetas trabalhadoras, como sejam os casos de Iniesta, Xavi, Villa, etc. Ora, a partir destes pressupostos, as hipóteses de Portugal ganhar aos espanhóis eram mínimas, isto por mais espirros que dessem os treinadores de bancada portugueses. E como o que tem de acontecer acontece, Portugal lá perdeu com os espanhóis. Então, frustrados, vai daí e vilipendia-se o treinador, como se ele tivesse uma varinha mágica, só por si capaz de fazer de jogadores como Tiago, Rui Meireles, Simão... iguais ou melhores dos que os da armada espanhola. Para agravar as coisas, o nosso melhor jogador, aquele que num lance podia fazer a diferença, esteve em dia não, o que também é humano e não dá direito às calúnias que recebeu. Meus amigos, já aqui o dissemos. Portugal perdeu com a Espanha porque lhe é inferior! E não adianta esbracejar e arranjar culpados. Muito menos apontar a não utilização deste ou daquele jogador. Deixem isso com os treinadores. Eles é que sabem as linhas com que se cosem. Deixem de dar palpites. E, sobretudo, tenham vergonha na cara. Ainda não lhes passou pelos beiços aquela de convocar o Quim? Não é que o homem deixou o Benfica e nunca mais foi falado como sendo preciso na Selecção?! O resultado acabou por ser 1-0, por sinal com o golo a ser obtido em fora-de-jogo. Quem sabe se o lance fosse sancionado, Portugal não conseguiria levar o jogo para o prolongamento, ou mesmo às grandes penalidades, e assim eliminar a Espanha? E, já agora, não foi Portugal que jogou à defesa. Foi a Espanha que nos obrigou a isso, pelo seu poderio futebolístico. Entendido? Quartos-de-final, lado «A» Uruguai - Gana, 1-1 (4-2 em grandes penalidades) Mais uma vitória para o Uruguai e mais uma obtida graças a todos os Deuses. Ganhar a eliminatória que está perdida a 30 segundos do fim é obra de extraterrestres. Mas essa vitória aconteceu devido ao facto de um futebolista ser humano, quer dizer que erra. Foi o que aconteceu a Gyan, ponta-de-lança ganês, que falhou o penálti no fim do jogo, após mão de Suarez em cima da linha de golo. O mais curioso é que Gyan, logo depois, na fase dos penáltis e ao contrário de alguns dos seus colegas, converteu a primeira grande penalidade da sua equipa. Holanda - Brasil, 2-1 Melhor equipa e melhores jogadores não foram suficientes para ganhar à Holanda num jogo sem dia seguinte. Aconteceu ao Brasil, que ainda se deu ao luxo de marcar primeiro. Mas dois erros consecutivos, o último da responsabilidade do seu guarda-redes, lançou o Brasil numa fase de descontrolo, logo agravada com a expulsão de Filipe Melo, o que foi meio caminho andado para a sua eliminação. Neste desafio, há que destacar na vitória holandesa, os seus jogadores vedetas, Sneijder e Robben. Do Brasil, apesar das contingências, esperávamos mais. Lado «B» Os 4-0 do Alemanha - Argentina soa a inverdade. E foi o que aconteceu, isto sem tirar mérito à vitória da Alemanha. Só que os números não traduzem o que aconteceu nos 90 minutos, pois a Argentina jogou para um melhor resultado, só que as contingências do desafio levaram a que tivesse perdido por uma goleada inesperada e injusta. Mas como no futebol não há lógica, a Alemanha, que depois de inaugurar o marcador, partiu para a sua melhor exibição do torneio, acabou por ser um bom semifinalista. Paraguai - Espanha, 0-1 Mais uma vez a Espanha ganhou pela diferença mínima. E desta vez até com muita sorte, pois o Paraguai, que em alguns períodos do jogo chegar a incomodar os espanhóis, podia ter ganho a partida, não fora a infelicidade do seu atacante Cardoso (joga no Benfica), que em momento crucial do encontro falhou uma grande penalidade que a ser marcada lhe podia ter indicado o caminho das meias-finais. Assim não aconteceu e a Espanha, que mais uma vez beneficiou de um erro decisivo do árbitro, acabou por marcar o golo da praxe e com ele passar às meias-finais. Esse erro aconteceu aquando da marcação da grande penalidade falhada por Cardoso. No momento do remate, já quatro espanhóis estão dentro da área, o que daria direito à repetição do castigo, como viria a acontecer, mais tarde, mas agora nas redes contrárias, quando o mesmo árbitro mandou repetir o penálti de Alonso feito golo e que, depois, na repetição permitiu a defesa ao guardião paraguaio, que ainda no mesmo lance, na recarga, fez outro penálti, mas não assinalado pelo juiz da partida. Meias-finais, lado «A» Uruguai - Holanda, 2-3 Venceu, com lógica, a melhor equipa. Uma equipa que através da competição foi sempre muito certa, sem ser espectacular. Viveu do trabalho da maior parte dos seus jogadores e da classe de Robben e Sneijder, dois dos melhores jogadores de todo o torneio. Do lado contrário, igualmente uma equipa honesta, muito aguerrida e que aqui e ali beneficiou do bom jogo dos seus atacantes, com destaque para Forlán. Lado «B» Alemanha - Espanha, 0-1 Mais um jogo da Espanha, mais uma vitória e de novo por uma bola a zero. Apesar do score ser curto, as duas equipas tudo fizeram para que os números fossem outros, o que não aconteceu por mera casualidade. Mais da parte da Espanha, que dominou a maior parte do desafio, mas também por banda da Alemanha, que teve igualmente as suas oportunidades. De resto, em certas alturas do jogo chegámos a pensar que seria pena uma delas ficar somente para disputar a final de consolação quando, pelo futebol praticado, ambas tinham qualidade para marcar presença na grande final. Mas como só uma equipa podia aceder a esse desiderato, acabou por ser a Espanha a avançar para a final de Joanesburgo. Mais uma vez o futebol de passe curto e muito apoiado foi premiado neste Mundial da África do Sul. Terceiro e quarto lugares Uruguai - Alemanha, 2-3 Contentes por terem chegado a um patamar considerado inacessível no início da prova, os uruguaios iniciaram a este jogo de consolação com toda a fibra, na tentativa de surpreender a Alemanha, uma equipa que a dado passo da competição começou a ser vista como possível vencedora do Mundial. Por seu lado, os alemães, dececionados por terem falhado o jogo do título, entraram na contenda mais ao relento. Mas foi por pouco tempo, visto a pressão uruguaia ter mexido com o brio teutónico e vai daí houve que acelerar. E aceleraram tanto que passaram de vencidos a vencedores, numa clara demonstração de que tinham equipa para ombrear com a Holanda e Espanha, os dois finalistas. Assim não aconteceu. Mas deu para levar a medalha de bronze relativa à terceira posição no Mundial, a mesma que conquistaram em 2006 (perante Portugal), então no Mundial que se disputou no seu território. |
Acordo Ortográfico
Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade de referir noutro local. Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova. Contamos com a compreensão dos nossos leitores. Carlos de Jesus Diretor |
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