O novo acordo ortográfico e o LusoPresse

Como os nossos leitores atentos já repararam, este jornal decidiu aderir ao novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Porquê, perguntar-nos-ão, quando muita gente, principalmente em Portugal, se opõe frontalmente à nova grafia.
Em nossa opinião, os adeptos da antiga regra ortográfica são militantes de causas perdidas. São do mesmo combate dos que, em 1911, defendiam com garras e unhas a ortografia pseudo etimológica que vigorava desde o século XVI, a qual, à semelhança da grafia francesa e inglesa, escrevia pharmacia, theatro e sciencias.
Na reforma ortográfica de 1911, que muitos não viram senão como uma conspiração republicana, o intento era o de democratizar a escrita, retirando-lhe a falsa patine grego latina que aos eruditos de salão tanto aprazia.
Desta vez, a finalidade é ainda tornar a língua escrita mais simples e ao mesmo tempo harmonizá-la entre os países lusófonos. A principal diferença que já adoptámos nestas páginas, e que tem surpreendido alguns leitores, é o facto de, seguindo as regras da nova ortografia, deixarmos cair as consoantes mudas como em director, acção, protecção, baptismo, adoptar e excepção que agora se escrevem: diretor, ação, proteção, batismo, adotar, e exceção.
Claro que os velhos hábitos levam tempo a morrer e muita gente sente-se pouco inclinada a adotar as novas regras. Lembro que o meu saudoso pai sempre esceveu Cintra em vez de Sintra, Manoel em vez de Manuel, e assúcar em vez de açúcar, porque, como ele dizia, foi assim que o tinham ensinado.
Claro que não vamos impor a ninguém que nos escreva com a nova ortografia, mas, se não houver informação explícita em contrário, vamos introduzindo as novas regras e assim habituar os nossos leitores ao português moderno. Quer isto dizer também mais trabalho da nossa parte, porque infelizmente não podemos contar ainda com os correctores automáticos da nova grafia. Que os leitores nos desculpem as omissões que venham a encontrar.

Carlos de Jesus

Diretor
LusoPresse - Edição do dia 19 de Fevereiro de 2009