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Ano  XIII - Nº 194 Montreal, 18 de Dezembro de 2008 Notícias e comentários da comunidade lusófona
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Em Austin, Texas

Procuram-se Portugueses

Por Jules Nadeau









Foto Jules Nadeau/LusoPresse

Austin, Texas – Eu continuo à procura de sinais de vida portuguesa em Austin, no Texas. No meu quarto dia por estas paragens, acabo enfim por encontrá-los mesmo se eles são mínimos. No supermercado de alimentação Whole Foods, o maior do mundo para os produtos naturais, encontro em saldo garrafas de vinho tinto Charamba a somente 7,99$ dólares americanos. Uma pechincha por este exilir do Douro importado por uma companhia da cidade de Houston. Certificado a 100% natural desde Junho 2003, Whole Foods tem 80 mil pés quadrados de área. Um gigantismo à medida do Estado dos cowboys.



Para além disso, numa mesa onde comem os texanos pesarosos pela sua saúde, encontro o New York Times com um artigo intitulado «Uma tradição portuguesa face a um futuro congelado». A jornalista americana escreve a partir de Ílhavo (Centro Norte de Portugal) que o bacalhau «congelado» se impõe doravante no regime alimentar nacional. Este tipo de peixe é o equivalente do peru no dia da Acção de Graças nos Estados Unidos.








Foto Jules Nadeau /LusoPresse

Congelado? A qualificação aplica-se também a Austin onde o mercúrio acaba de descer a zero graus centígrados depois da minha chegada. Eu que trouxe uma colecção de T-shirts aos logos 100% americanos. Devo antes endossar o meu guarda-roupa canadiano de cores sombrias.

Eu bem lancei um apelo a todos, parentes e novos amigos, para me encontrarem um mínimo de cultura portuguesa nesta capital que conta 1,5 milhão de população. Dois ou três «portugueses errantes» satisfazem-me!

No passado sábado, à noite, cheguei a considerar-me salvo indo assistir a um espectáculo de músicos «brasileiros». Música extraordinária, digna do nosso Festival de Jazz! O convite veio do nosso amigo argelino Mehdi Boudra, virtuoso da guitarra. Na primeira parte do espectáculo, os oito músicos são excepcionais. A plateia aquecida dança ao mesmo tempo que toma uma cerveja. «Quantos brasileiros há no grupo? Nem um! Metade é americana. Metade é mexicana. Há um cubano...». Fiquei decepcionado. Mas era de esperar. Estávamos em pleno bairro mexicano de Austin.

O nosso amigo espanhol Jose Ramon Alvarez faz-me uma sugestão: «Português? Hum... Vá à 4ª rua, porque há lá um bar de desportistas compulsivos de nome FADÓ. Mas é um pub irlandês...».

Vou, então, ao centro da cidade para pedir uma explicação. O barbudo do barman desata a rir. A minha pergunta não lhe surpreende. «Trata-se do velho gaélico e quer dizer: era uma vez. Como quando começamos a contar uma história às crianças...». Ele deixa-me tirar uma foto. Fadó escrevesse com um acento. Roubo de identidade? Propriedade intelectual usurpada? Provavelmente que não.

Em desespero de causa, a menos que eu encontre algo do que procuro na cidade vizinha de San António, aonde vou depois de amanhã, lançarei um SOS ao nosso amigo Professor Onésimo Teotónio Almeida para que ele me descubra alguém no seu rico caderno de contactos. Talvez o Professor tenha bons contactos para me encontrar um amigo português, em particular, na Universidade do Texas (em Austin) que conta com 48 000 estudantes. Uma cidade dentro de outra cidade!







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