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Ano  XII - Nº 185 Montreal, 17 de Julho de 2008 Notícias e comentários da comunidade lusófona
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Quase sem darmos por isso...

Álvaro Pacheco realizador de cinema

Por Norberto Aguiar







Álvaro Pacheco, o grande mentor e realizador do projecto.
Foto LusoPresse

À primeira vista ninguém dá nada por ele. É franzino, fala pouco – se não conhece o forasteiro!... – e não anda pela comunidade tantas vezes como seria de esperar. Falamos de Álvaro Pacheco, um cinquentão de origem ribeiragrandense, no Canadá desde 1958, já lá vão 50 anos.



O nosso contacto com Álvaro Pacheco é recente, de dois ou três anos, e aconteceu por influência do Henrique Laranjo, proprietário do Restaurante Chez le Portugais.






A sua equipa.
Foto LusoPresse

Nos primeiros tempos, a nossa abordagem fez-se por mor da sua possível colaboração com o jornal em termos de fotografia, que é uma das várias profissões que abraça o amigo Álvaro. Depois, com o tempo, passou para conversas mais profundas, que o nosso ribeiragrandense é um exímio filósofo. Ultimamente, qual surpresa, demos com o Álvaro Pacheco, como actor/autor e realizador/produtor de cinema!

Aliás, há meses, o Álvaro tinha-me dito que estava participando numa audição, pois estava interessado num papel como actor. Primeiro rimos, depois mudámos de comportamento, visto a seriedade da situação. De resto, a maneira do Álvaro falar com as pessoas, logo que as conheça, é sempre feita num jeito desengonçado, tipo palhaço, no bom sentido da palavra. De resto, conversando com o Henrique Laranjo, já demos connosco a dizer que o Álvaro Pacheco podia ser alguém importante no domínio das Artes da Cena. O nosso amigo terceirense, que o conhece bem melhor do que nós, por mais de uma vez já nos deu razão.

Agora, isto é, há algumas semanas a esta parte, recebemos um telefonema do Henrique convidando-nos para passarmos no seu restaurante, mas que viesse com tempo e que almoçaria com ele.

Era um sábado de manhã. Tínhamos coisas para fazer, mas ao Henrique, pela sua maneira de ser e de estar, é difícil dizer que não a um qualquer pedido seu.

Acabámos por descer a Montreal. Ao chegarmos diante do Le Portugais, as vitrinas estavam todas tapadas por um pano preto. Pelo sim, pelo não, mas um pouco atarantado, avançamos para a porta interior de acesso ao restaurante. Primeira constatação: há aqui filmagens. Mas a que se reportarão?, perguntávamos a nós próprio. Mas que raio. Por que é que o Henrique me não disse que tinha o restaurante ocupado? Mas sempre acabámos por empurrar a porta...

Ainda não tínhamos metido a cabeça dentro do restaurante e já o Henrique nos dizia «entra, entra, não tenhas medo».

Ao aproximarmo-nos do balcão o que é que vimos?, uma equipa completa de actores e figurantes que almoçavam. O leitor já adivinhou. Era a equipa do Álvaro Pacheco em filmagens.

«Trata-se de uma comédia burlesca. A história centra-se num empregado de mesa francês, que lida com um cliente snob. O criado – à moda antiga – comete uma série de erros de maneira que a noiva do cliente reaja, isto a soldo do noivo. E como combinado, o empregado pede desculpa pelas asneiras, dizendo ao mesmo tempo ao cliente que está tudo pago. O pior é que o empregado de mesa vê o logro em que está metido quando se apercebe que não eram aqueles os clientes visados... pois logo aparece o casal visado no restaurante», conta-nos Álvaro Pacheco ao mesmo tempo que anda de um lado para o outro na direcção dos seus actores.

«O filme é de 10 minutos e custa cerca de dois mil dólares. Tem 11 figurantes e mais cinco actores», adianta-nos Pacheco quando por nós questionado sobre a realização da película. E a outra questão posta por nós, «o produtor também sou eu...». E quando se lhe pergunta se tem patrocinadores por detrás do projecto, ele logo afiança que não e atira: «A Caixa de Economia podia ajudar, não é?», questiona-me ele agora. «Mas não faz mal por que agora quero abrir portas. Mais tarde, logo se vê», diz ainda.

Depois de terminada a nossa conversa, Álvaro Pacheco arredou-se de nós e recomeçou o seu trabalho. «Acção!» «Para!» «Todos para os seus lugares». E foi assim por todo o fim-de-semana, com as instalações do restaurante encerradas, qual cité cinéma do Velho Montreal.

A equipa de actores:

Victor (Ronald ZierniKi, polaco), Maria (Laura Pacheco, portuguesa), Charlie (Darcy Ferreira, português).

Cliente, homem: Matthias Elsdörfer, alemão); cliente mulher: Alaya Martin (italiana),

Equipa técnica:

Álvaro Pacheco – cenarista, produtor, realizador.

Allan Legarth Nielsen (dinamarquês), director de fotografia e cameraman.

Mathias Elsdörfer – controle do som e fotografia do palco.

Michael O’Mahony (irlandês): logística e posições acessórias.

Fee Heitland (alemã): controlo de som.

Cyntia Ziernicki (polaca): Script Girl e dobragem.

Elizabeth Laranjo (portuguesa): Maquilhagem.

Sylvie Berthiaume (canadiana): figurante.







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