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Ano  XII - Nº 185 Montreal, 17 de Julho de 2008 Notícias e comentários da comunidade lusófona
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No Chez le Portugais

Exposição de artesanato que vira «história»

Por Norberto Aguiar







Marie Louise San Sebastian, à esquerda, na sua boutique de St- Sauveur, na companhia de uma cliente.

Convidado por Henrique Laranjo, chefe proprietário do Chez le Portugais, fomos assistir à abertura da exposição de peças de artesanato do Senhor António José Pires, compatriota nosso, mas totalmente desconhecido do jornalista, embora residente no Quebeque vai para cinco anos, como adiante se verá, realizada nas instalações daquele restaurante. O evento teve lugar na tarde de terça-feira, dia 8 de Julho.



Logo que chegámos ao Chez le Portugais, fomos apresentados ao Senhor António José Pires, que se encontrava na companhia da sua simpatiquíssima esposa. E sem perda de tempo, quisemos saber um pouco da vida do Senhor Pires, um apaixonado por artesanato, de tal maneira que, nos últimos 10 anos, fez dele o seu modo de vida.

Antes, porém, temos que dizer que António Pires, hoje a «namorar» a reforma, saiu de Portugal no dealbar dos anos 60, para «fugir à tropa», em direcção a França, onde casou com a francesa Marie Louise San-Sebastian, que como o seu nome indica é de origem espanhola, «do país basco», atalha-nos.

Depois de ter ajudado uns tios a emigrarem para o Canadá (Colômbia Britânica), António José Pires, para realizar outro sonho da sua vida, decidiu voltar a emigrar, agora já sem necessitar de «fugir». E como tinha família na Colômbia Britânica, os tais tios, foi para lá que foi, isto apesar do Quebeque, pela língua, ser a província mais indicada.

Com uma filha trazida de França, o casal Pires passou pelas peripécias que normalmente todos os emigrantes passam. «Levei alguns cinco a seis anos para me adaptar», diz a Senhora Sebastian, enquanto o marido sorria, por que «eu cá por mim adapto-me muito rapidamente».

Na Colômbia Britânica foram parar a Osoyoos, no sul da província, que fica a poucos quilómetros dos Estados Unidos (Estado de Washington). «É uma terra de muitas quintas. Quando lá cheguei eram os portugueses os seus proprietários. Nos últimos anos que lá vivi, de 1974, altura em que cheguei, a 2004, de quando de lá saí, passaram a ser os indianos os seus novos donos. E compreende-se. Os portugueses estão a ficar velhos e os filhos partem para Vancouver ou outras grandes cidades e por isso ficam sem quem delas (as quintas) cuide», diz António José Pires, que também explorou uma quinta (cinco hectares) durante vários anos, até enveredar pelo comércio de artesanato.

E respondendo a outra questão posta por nós: – Sim, quando vendi a quinta (de frutos de muitas variedades – maçãs, pêssegos, cerejas...), dediquei-me ao artesanato. Interessei-me através da Internet. Depois fui várias vezes a Portugal. De norte a sul, principalmente às zonas do Alentejo (Évora, São Pedro do Corval, Reguengos), Coimbra, Barcelos... Foi dessa maneira que abri uma loja em Osoyos. Durante cinco anos fiz o que sempre sonhei. Para além disso, o negócio era bom e permitia-me ir a Portugal de vez em quando. Mas a vida dá muitas voltas e uma filha, a mais nova, já nascida cá, como a segunda de resto – tenho três –, casou com um polícia da GRC de origem quebequense, em comissão de serviço no Vale Okanaghan, e que veio viver para o Quebeque há cinco anos. A segunda acabou, também, por vir para o Quebeque... daí a arrastarem-nos para cá foi um passo. Há cinco anos que estamos cá». E quando demonstramos surpresa por nada sabermos dele e das suas peças de artesanato português durante cinco anos, o Senhor Pires logo nos diz que «instalei-me em St-Sauveur, por que me diziam que era uma cidade muito turística e que lá podia fazer negócio... Ora a verdade é que durante quase cinco anos e de negócio fiz muito pouco. Juntando a isso duas operações, entendi que de loja estava já mais do que farto. Foi assim que decidi fechar o estabelecimento e, a partir de agora, vender o meu artesanato, assim, em peças avulsas, em ocasiões especiais, como festas, feiras ou outras situações. Olhe, a primeira, para além desta exposição aqui, no Le Portugais, será no mês de Agosto, na Fête Gourmande, no Parque de Notre-Dame. Para além disso, deslocar-me-ei a casa de qualquer provável comprador. Só é preciso telefonarem-me. Estarei sempre disponível», diz-nos o Senhor Pires, um homem decidido e muito enérgico, como nos confirmou a esposa em altura que ele prestava declarações a uma das televisões comunitárias.

A nossa conversa com o casal Pires focalizou muito mais do que o artesanato. O Vale de Okanaghan teve honras de «cimeira» por via da presença do nosso irmão na região – é professor na Universidade da Colômbia Britânica, módulo de Kelowna – o que ajudou ao nosso «toma lá, dá cá». «Embora não o conheça, ouvi falar na altura – agora também lá está o José Carlos Teixeira – nesse professor por ser o único de origem portuguesa em toda a região. E repare que só em Osoyos há cerca de cinco mil portugueses, isto sem falar em Pentincton, Kelowna e arredores. Deixe-me ainda dizer que a minha filha mais velha vive em Kelowna, e que também é casada com um polícia da GRC, este de origem escocesa...», acrescentou.

Com três mil peças para escoar, «de artesanato genuíno», reforça, o casal Pires convida a comunidade a passar pelo Le Portugais, ao mesmo tempo que considera que o preço das peças nunca será problema, pois há mercadoria para todas as bolsas. «Temos desde pratos de parede, aos galos de Barcelos, passando por porcelanas de Coimbra e Barcelos. De uma coisa estou certo, enfatiza o Senhor Pires, homem sério, não fosse ele beirão da região do Fundão, é que as pessoas vão gostar do nosso produto».

Para contactos:

António José Pires

Telefone: (450) 565-8438.







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