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Ano  XII - Nº 185 Montreal, 17 de Julho de 2008 Notícias e comentários da comunidade lusófona
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Político desde há 20 anos…

Luís Miranda no próximo Comité Executivo da Câmara de Montreal?

Entrevista de Norberto Aguiar








Luís Miranda, «maire» de Anjou, quando prestava declarações ao nosso jornal.
Foto de Cândido Gonçalves

Luís Miranda é o nosso político mais carismático. Está na política municipal há 20 anos. Primeiro começou como vereador e, depois, beneficiando de algumas circunstâncias favoráveis, assumiu as rédeas da cidade de Anjou. Até hoje. Pelo caminho ficou a polémica da «fusão» e «desfusão» de Anjou com a cidade de Montreal. Depois disso muita tinta correu... Luís Miranda, numa primeira etapa, bateu-se para que a sua cidade continuasse «independente», isto na medida em que uma aglomeração de cerca de 50 mil pessoas, 25 milhões de dólares de orçamento e possuindo – ainda possui – o segundo maior parque industrial de toda a ilha, merecia continuar a «viver» pelo seu próprio pé... No entanto, e como todos sabem, a proposta da então ministra Louise Harel vingou e apesar de Luís Miranda ter feito frente comum com outros «maires» da ilha de Montreal, os seus esforços redundaram em tentativas vãs: Anjou passou a ser um bairro de Montreal, isto apesar de continuar a liderar alguns serviços. Não comparando, se transportarmos Anjou para uma qualquer região de Portugal, a imagem que fica – aqui já explicada por nós em primeira-mão – é de uma freguesia, que depende da vila ou cidade concelho.



«Os cidadãos de Anjou não dão pela mudança. Quase tudo continua na mesma. Os nossos serviços, como a limpeza da neve, continuam a fazer-se com a celeridade de antes. Se alguma coisa mudou foi ao nível da representação política, pois temos agora eleitos a pugnar pelas suas opiniões na Câmara Municipal de Montreal», diz-nos Luís Miranda no seu gabinete, situado nas vistosas instalações da Câmara, perdão, da Junta de Freguesia de Anjou.









Convencido de que o estatuto de Anjou está para perdurar, Luís Miranda diz que «hoje, já ninguém reclama para voltar ao tempo de antes da «fusão». Eu próprio, acho bem as coisas como estão. Mas repare que me bati denodadamente pelas minhas ideias para Anjou. No antes, e depois quando o Governo Charest nos deu a possibilidade de «desfusionar». Fomos de novo à luta, participando activamente no Referendo. Voltámos a perder. Bem sei que foi apenas por um ponto de percentagem... Mas perdemos e como bons democratas que somos, falo no conjunto da minha equipa, que esteve sempre unida, aceitámos o veredicto da maioria da população da nossa cidade».

Conformado, sente-se que as opções do açoriano natural do Pico da Pedra estão agora viradas para outros objectivos. Daí outra pergunta nossa. A resposta veio assim: – O meu regresso ao Partido União de Montreal visa o interesse da população de Anjou, que foi sempre a parte primeira da minha acção política. Daí que eu creia que aderindo ao partido no poder na Câmara central se torne vantajoso para a minha localidade, embora reconheça que Anjou, nestes últimos anos, não tenha muita razão de queixa do executivo chefiado pelo «maire» Gérald Tremblay». E logo a seguir: «Se digo isto por que estou de volta ao partido do Senhor Tremblay? Nada mais errado. Se tenho esta opinião é por que é a realidade. De toda a maneira, agora que a fusão está para durar, por que é que ficaremos na oposição? Pelo prazer de fazer oposição?».

Não contente, o jornalista tentou penetrar no pensamento do «maire» de Anjou de outra maneira.

«A minha posição de presidente de Anjou dá-me muito trabalho e satisfação. Daí que outros cargos na política da administração central não façam parte das minhas ambições imediatas», diz-nos ainda o político mais respeitado da Comunidade Portuguesa do Quebeque. E ainda: «um político nunca pode dizer sim ou não a qualquer situação de futuro, a menos que seja adivinho», responde-nos Luís Miranda quando lhe questionamos sobre as promessas que terão sido feitas por Gérald Tremblay para que ele voltasse ao partido no poder.

«Ao contrário do que se possa pensar, regressei ao União de Montreal por que a minha equipa – os vereadores que me acompanham no executivo de Anjou – concordaram que era tempo de não estarmos sozinhos na oposição, numa altura em que agora aparece outro partido – Vision de Montreal – a «reforçar-se» com o vereador Labonté como líder, um homem sem experiência. Para além disso, um dos nossos adversários em Anjou, Caroll Beaupré – era da nossa equipa e depois apresentou-se contra nós – já não está no partido, o que cria, desde logo, condições para voltarmos». E mais adiante: – De toda a maneira, foi o «maire» Tremblay a convidar-nos para regressarmos. Foi há dois meses, a 20 de Maio, que o acordo foi concluído. Um processo longo, como se vê, pois começou ainda em 2005. Mas aí, como já disse, as condições não estavam reunidas para o nosso acordo.

A conversa com Luís Miranda desenrolou-se na presença do amigo Cândido Gonçalves e foi feita totalmente em português, o que não aconteceu quando, há anos, o descobrimos para a Comunidade Portuguesa. Nessa altura, por não se sentir «à l’aise», o nosso bate-papo, feito na cave da sua casa em Anjou para a Rádio Difusão Portuguesa – Açores, foi em francês, o que criou algumas dificuldades, pois estávamos em directo para todo o arquipélago. Agora, com outro à vontade e muito mais perto da sua comunidade de origem, Luís Miranda tem pena que as nossas entidades e organismos não lhe abordem com a frequência que ele desejaria. «Mesmo se Anjou tem cerca de 80 organizações que me reclamam, a verdade é que eu ainda podia dar mais à comunidade portuguesa», diz em forma de lamento. E aqui surge na conversa a sua grande iniciativa de levar aos Açores, de alguns anos a esta parte, duas vezes por ano, centenas de pessoas que «deixam na nossa terra, cada uma, incluindo a passagem de avião, para cima dos três mil e quinhentos dólares». «Mas, continua, não sei por quanto tempo por que as entidades governamentais açorianas, nelas se inclui os responsáveis da SATA, nada fazem para nos ajudar», lamenta. E, reforçando aquela tese, o político anjoense compara com aquilo que se faz na sua localidade, apontando os campos de golfe. «Em vez do governo manter as estruturas de golfe nos Açores, a preços interessantes para motivar os turistas, agora decidiu vender a privados, dos Estados Unidos. Com isso, agora temos de pagar 90 dólares por dia quando, antes, pagávamos apenas 20!»

A entrevista já ia longa e também para Luís Miranda aproximavam-se outros compromissos. Daí que o jornalista tivesse de condensar uma série de outras perguntas que, genericamente deram no que vem a seguir.

– Se as agências reclamam por falta de participação nos aviões que passaram a vir a Montreal recolher as nossas comitivas, a culpa é delas por que, em devido tempo, não cumprirem com aquilo que lhes foi pedido.

– Há nítida falta de respeito da parte de algumas pessoas e entidades em relação ao papel que desempenham os açorianos nesta comunidade.

– Apesar da medalha de comendador que ostento, não ando por aí a bater no peito pela posse de maior influência na comunidade.

– Sobre o Bairro Português, há coisas que neste momento não domino. No entanto, fiz parte dum comité que devia ter tido uma palavra a dizer nessa matéria... e que infelizmente não teve.

– A política que actualmente me interessa é a de cariz municipal. No futuro não sei o que acontecerá. Mas sempre lhe direi que, se quisesse, já estava na política provincial.

– Tenho orgulho em ter sido o primeiro presidente de câmara de origem portuguesa no Quebeque.







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