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Ano  XI - Nº 156 Montreal, 15 de Março de 2007 Notícias e comentários da comunidade lusófona
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Reunião da Associação Portuguesa do Canadá

... E depois? Uma Casa de Portugal?...

Norberto Aguiar


Aspecto da reunião da Associação Portuguesa do Canadá onde se tentou discutir o futuro da nossa Communidade.
Foto LusoPresse

Todos sabem que a nossa Comunidade está em plena mutação – o professor José Carlos Teixeira diz que estamos em «Transição». Os velhos – velhos são os trapos! – estão a morrer e os novos não estão virados para o interior da nossa comunidade. Então, que fazer? Uns pensam que criando uma Casa de Portugal resolve os problemas. Outros, como dizer, mais determinados e persistentes, alegam que não há que temer o futuro porque o tempo é que é o melhor fazedor desse mesmo futuro.

Parabéns para a Associação
Algumas das personalidades presentes. Da esquerda para a direita, professores Luís Aguilar e José Teixeira; e os Drs. Silveira de Carvalho (embaixador de Portugal), Duarte Miranda (vice-presidente Internacional do Banco Royal), Carlos Oliveira (cônsul-geral) e Arlindo Vieira (juiz).
Foto LusoPresse


A Associação Portuguesa do Canadá está de parabéns pela sua iniciativa. Reunir 100 pessoas para falar do futuro da nossa comunidade é um trabalho com mérito. Em nossa opinião, foi mais um «pingo doce» caído na vida desta comunidade. Com iniciativas assim, os críticos comunitários, no mau sentido, entenda-se, teriam muito menos espaço de manobra. É que eles já não se satisfazem com o haver das populares matanças do porco para deitar abaixo... Mas deixemo-nos de divagações.

O que aconteceu na segunda-feira, dia 5 de Março, na reunião da Associação Portuguesa do Canadá foi que o leque de pessoas que ali ocorreu, quis colaborar com as suas ideias no avanço contínuo da nossa Comunidade. Uns pugnando pela redução de organismos, porque acham que «há cada vez menos pessoas interessadas em fazer parte dos corpos gerentes dos nossos clubes e associações...»; enquanto outros defenderam que «deixe-se as coisas como estão porque todos têm o direito de viver até porque, de toda a maneira, aqueles que têm essas dificuldades, mais hoje, mais amanhã ficarão pelo caminho...». Difícil, como se viu, foi convencer uns e outros a abdicarem das suas «arreigadas» opiniões. Quem tem razão? Em nossa opinião, ambas as teorias apresentam o seu quê de justo. Os primeiros por que são de opinião que a união faz a força; os outros por que acham que a qualidade só pode ser encontrada na quantidade. Assim sendo, a pergunta volta a ser a mesma: em que ficamos?

As soluções

Sem termos a pretensão de avançar com a solução milagrosa, há duas coisas que achamos devem ser feitas no imediato: a primeira é continuar a promover iniciativas deste teor, se possível chamando mais gente com responsabilidades nos organismos comunitários de forma a debater propostas – a propósito, quantos dirigentes estiveram na reunião da Associação? A segunda tem de passar pela criação de um «banco» de potenciais líderes comunitários que tenham a coragem de enveredar pela criação de um organismo de cúpula, aglutinador e motivador de projectos de unidade e representatividade comunitárias.

O conferencista

Atendendo ao rumo que tomou o curso da assembleia, a plateia quase passou ao lado da excelente apresentação do professor José Carlos Teixeira, um quebequense expatriado em Kalowna, cidade a 500 km a Sul de Vancouver, quase na fronteira com o estado de Washington (USA). Na sua apresentação, mais uma vez José Carlos Teixeira fez um retrato do que somos. E falou em três etapas que considera importantes na vida dos portugueses do Canadá. Assim, considerou que de 1953 a 1965, a nossa gente chegou e instalou-se. O segundo, de 1966 a 1985, foi tempo da mobilidade dos portugueses, já com outras condições sociais e financeiras, ao dirigirem-se dos meios urbanos para a periferia, neste caso, muitos passaram de inquilinos a proprietários. A terceira, considera ainda o professor ribeiragrandense, obedece ao actual período, onde uma grande parte da comunidade está a envelhecer e a outra parte é ocupada por uma juventude que parece querer afastar-se da Comunidade.

No entremeio, José Carlos Teixeira não foi muito convincente na defesa da tal Casa de Portugal, solução para todos os males na opinião de alguns. Aqui e ali, o professor universitário acabou por dar razão às teses defendidas pela outra parte da plateia.

Como resumo, diremos que a reunião da Associação Portuguesa do Canadá, que acaba de comemorar 50 anos, foi muito proveitosa, porque deu para levantar e apreciar alguns dos problemas que temos. Neste aspecto, mesmo o Cônsul-Geral de Portugal, Dr. Carlos Oliveira, acabou por concordar que temos que amadurecer melhor a possibilidade de se criar a tal Casa de Portugal.

O embaixador de Portugal, Dr. João Pedro Silveira Carvalho, encerrou a sessão enaltecendo o esforço feito pelo Cônsul-Geral no sentido de aproximar todos os organismos comunitários na procura de soluções aos problemas vigentes. De resto, Silveira Carvalho adiantou ainda que sejam quais foram as soluções encontradas a representação diplomática portuguesa aceitará e apoiará os seus desígnios.

Relativamente à influência da nossa comunidade junto das instâncias governamentais canadianas, o diplomata disse que tudo fará para que possamos ter uma cada vez maior voz. Neste âmbito, o nosso embaixador diz apostar na nossa juventude.




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