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Legislativas antecipadas em Janeiro no Canadá

Moção de censura da oposição levou à queda do Governo do Partido Liberal

Por Patrícia Viegas, Diário de Notícias (Lisboa)

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As legislativas antecipadas no Canadá foram ontem agendadas para 23 de Janeiro, após o Governo liberal minoritário de Paul Martin ter sido derrubado pela oposição, na segunda-feira, através da votação de uma moção de censura.

O Partido Conservador (PC), o Bloco do Quebeque (BQ), o Novo Partido Democrático (NPD) e três deputados independentes apresentaram a moção por considerarem que o executivo do Partido Liberal do Canadá (PLC) deixou de ter qualquer «autoridade moral» para governar, devido ao seu envolvimento num escândalo de corrupção.

No entanto, uma sondagem ontem divulgada pelo jornal de Toronto The Globe and Mail revela que o PLC, partido que governa o Canadá desde 1993, tem 35% das intenções de voto, contra os 29% do PC e 17% do NPD. Mas mostra também que 54% das pessoas interrogadas dizem-se favoráveis a uma mudança de liderança no país.

Os conservadores acreditam no mesmo, mas os liberais não dão sinais de fraqueza. Por isso, os partidos iniciaram imediatamente a campanha eleitoral, para aquelas que vão ser as quintas eleições legislativas na história do Canadá a terem lugar no Inverno (com temperaturas nos 20 graus negativos).

Martin, que ontem anunciou a data das eleições depois de um encontro com a Governadora-Geral Michaelle Jean, preferiu focar os aspectos positivos dos governos liberais, porque este último aguentou apenas 17 meses. Eleito em Junho de 2004, trata-se do primeiro Governo federal minoritário em 25 anos, tendo sobrevivido a outras moções de censura. A legalização do casamento homossexual foi uma das medidas que aprovou.

«Entramos em campanha com um bom balanço e temos orgulho nisso. O PLC pôs fim aos défices crónicos, registou excedentes orçamentais nos últimos oito anos, reduziu a dívida e ofereceu aos canadianos reduções nos impostos», disse Martin, acrescentando que «a economia do Canadá é forte e a taxa de desemprego é a mais baixa das últimas três décadas».

«Os liberais roubaram o vosso dinheiro e abusaram da vossa confiança», disse ontem o líder do PC, Stephen Harper, aproveitando para prometer a redução dos impostos e a diminuição da criminalidade. «Isto não significa só o fim de um Governo cansado e contaminado por um escândalo. Isto significa o início de um novo futuro para este país», garantiu Harper na segunda-feira à noite, quando a moção de censura passou por 171 votos (da oposição) contra 133 (dos liberais).

O escândalo de corrupção referido por Harper envolve liberais e está relacionado com uma campanha em defesa da «unidade do Canadá», após o segundo referendo sobre a soberania da província do Quebeque (a 30 de Outubro de 1995), mas no qual Martin foi ilibado no início deste mês pela comissão de investigação Gomery.

O problema é que a oposição, lembrando que Martin era na altura ministro das Finanças do também liberal Jean Chrétien, rejeita as conclusões da comissão. O «escândalo das comanditas» (sic) consistiu no pagamento de milhões de dólares de dinheiros públicos a agências de comunicação para promoção do federalismo. Mas os trabalhos não foram feitos, beneficiando responsáveis das empresas que, por sua vez, financiariam o PLC.

No referendo de há dez anos, o «não» à independência do Quebeque venceu por apenas 1%, sendo o maior número de deputados quebequenses no Parlamento federal do partido separatista BQ. As questões à volta da província, controversa desde os tempos em que De Gaulle ali exclamou «Viva o Quebeque livre», promete animar as eleições de Janeiro.

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