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rss  Vol. IX - Nº 129         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 29 de Outubro de 2020
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A propósito do Parque dos Açores

Carta a Isabel dos Santos

Isabel, alguém ligado ao LusoPresse procurou-te, há algum tempo, para te dar conta do seu interesse em participar na Comissão do Parque dos Açores. E com ela, outra pessoa também teria dado a entender o mesmo. Ao que sabemos, admiraste-te, porque não tinhas conhecimento de haver comissão. Tempos mais tarde, já com eleições municipais à vista, a mim me disseste o mesmo. Na ocasião, esclareci-te que a Comissão existiu – até te adiantei alguns nomes –, assim como te falei de como surgiu a ideia de haver um parque com o nome dos Açores. No entanto, pessoas houve que nunca quiseram que a comissão, formada na sala do extinto Restaurante Mesa, funcionasse, por interesses políticos de uns e de ego de outros. Só assim se percebe que no dia do lançamento da primeira pedra do Parque dos Açores alguns dos elementos da Comissão nem tenham sido convidados para assistir à cerimónia. Pior. Nem mesmo o autor da primeira proposta de parque na pessoa do autor destas linhas foi convidado... Disto também te falei.

Mas então por que é que te dirijo esta Carta? Porque, agora, sendo tu a nossa representante no Bairro – bem sei que a tua acção política não é de «serviço» à Comunidade Portuguesa – passaste a ter responsabilidades de liderança no projecto em causa, o que, em minha opinião, evitará que apareçam os oportunistas do costume, sempre prontos para aparecerem na dianteira de iniciativas como esta.

Isabel, parece-me que a ideia de tomares em mão a realização completa do Parque dos Açores está a fazer caminho. E também me parece que tens em mente reunir um grupo de pessoas da comunidade que tenham os interesses comunitários em alto apreço para opinar sobre tão importante projecto. Não me pediste opinião mas adianto desde já que concordo com a ideia, caso ela esteja em marcha. Porém, desaprovarei tudo aquilo que me parecer contrário a todos os princípios da transparência e de oportunismo. Como tem acontecido amiúde no seio desta comunidade. Com a legitimidade que a tua eleição como vereadora te confere, espero que consigas separar o trigo do joio.

Isabel, agora, se me permites vou deixar abaixo algumas informações que te poderão elucidar melhor como nasceu a ideia do Parque dos Açores, assim como poderão contar para a sua história futura.

Com amizade,

Norberto Aguiar

Parque Antero de Quental ou Parque dos Açores?

A ideia dum parque ligado aos Açores – a região da maioria dos portugueses aqui radicados – nasceu como forma de valorizar gente negligenciada por força de quem sempre liderou esta comunidade. Digo isto com todas as minhas forças, resultado de muitos anos de experiência e trabalho comunitário, nas Associações de Sainte-Thérèse e Portuguesa do Canadá, no Centro Português de Referência, na Casa dos Açores, no Micaelense (já extinto), no Rádio Centre-Ville, no Luso-Quebequense – do saudoso Carlos Querido --, na Voz de Portugal, na Concórdia, no Emigrante, no Congresso Luso-Canadiano, no Clube Oriental, no Velha Europa (extinto), no Rádio Portugal, eu sei lá em que mais... Por onde passei, muitas vezes tive de engolir injustiças a seco. Foi por isso que foi germinando em mim a ideia de criar qualquer coisa em nome da minha terra. Coisa que a valorizasse e que as suas gentes daqui, sentissem disso orgulho. Lembro-me que o Círculo Socialista, fundado em Montreal em fins dos anos oitenta princípios de noventa recebeu o nome de Antero de Quental. A sugestão foi minha. Apresentei aos meus correligionários a tese de que caso o Círculo fosse criado na Europa o patrono nunca teria outro nome senão de alguém do Continente. «Estamos na América do Norte, onde os açorianos são maioria, por isso sugiro o nome de Antero de Quental, grande socialista do último século», disse eu na altura. Ninguém contestou a minha proposta.

Foi assim que, ano(s) mais tarde abordei Michel Prescott. Tinha sido dos primeiros a quem ele recorreu na altura da sua primeira candidatura oficial à Câmara, já lá vão mais de 20 anos. De resto, a minha colaboração com Prescott prosseguiu pelo tempo adiante. Ao ponto de ir a tribunal com ele para defender a causa Parque Jeanne-Mance... É caso para dizer que estava em todas. Dessa frequente relação foi aparecendo a confiança, que dificilmente concedo. E com argumentos seguros propus ao político a ideia de criar um parque com o nome de Antero de Quental. Desde logo visei o espaço na Hotel-de-Ville, área minha conhecida – vivi muito perto nos primeiros anos de Canadá.

Michel Prescott, político que na altura já começava a dar sinais de experiência, retorquiu que sim. Mas analisando a situação, logo argumentou, com razão, que o nome de Antero de Quental era muito restritivo. Estava dado o passo para que o parque se chamasse Parque dos Açores, sob proposta do próprio Prescott.

O resto já se conhece melhor. O parque veio para a dianteira da cena política municipal, servindo como promessa eleitoral de Michel Prescott nas primeiras eleições da década de 90, isto apesar de estar condenada ao fracasso, pois Prescott pertencia à oposição. Uma maqueta de Raul Mesquita, que publicámos no jornal que dirigíamos na altura; e contactos do próprio Raul Mesquita com elementos da Casa dos Açores já surgiram, como deixei dito, dois ou três anos mais tarde.

Depois disso, alguns como eu continuaram a «martelar» junto dos políticos municipais na efectivação da criação do Parque dos Açores mas que de promessa em promessa foram sempre adiando a decisão. Até que, de repente, tudo foi desbloqueado e o parque tornou-se na realidade que todos nós conhecemos. A razão dessa repentina decisão, conhecemo-la. Mas vamos comentá-la noutra ocasião por que neste momento não é tempo para especular.

Com orçamento atribuído e definido, a remodelação do Parque dos Açores começa no princípio de 2006. Espera-se que só depois de ter havido propostas e discussões sobre aquilo que se pretende fazer.

Comentário
Isabel, alguém ligado ao LusoPresse procurou-te, há algum tempo, para te dar conta do seu interesse em participar na Comissão do Parque dos Açores. E com ela, outra pessoa também teria dado a entender o mesmo...
A propsito do Parque dos Aores.doc
 
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