Em Lasalle
São seduz lassalenses
Por Norberto Aguiar

Sábado. Dia 22 de Outubro. 20h00. São, a cantora de «Paixão de Fado», sobe ao palco do teatro do Centre Henri-Lemieux, em Lasalle, para dar início à época «Coup de coeur» deste teatro. «Coup de coeur» é o nome dado à programação artística do Centre Henri-Lemieux e que é levada a efeito durante os períodos de Outono, Inverno e Primavera deste teatro regional.

Foi a São a dar o «tiro de partida», no sábado, dia 22, e vai ser Polémil Bazar (17 de Dezembro) a marcar o «segundo passo» da época, antes que Le Vent du Nord (21 de Janeiro) inicie o ano de 2006.

Com a sala cheia e um silêncio total, São, acompanhada ao piano pelo professor Carlos Ferreira, foi desbobinando o rol das suas belas interpretações, algumas mesmo tendo a ver com a sua condição de mulher, motivando por isso algumas lágrimas nalguns dos corações mais sensíveis.

E tudo começou com «Hode Love», instrumental pianíssimo de Carlos Ferreira, que logo preparou os presentes para o que viria depois.

Já com São no palco, a voz e o piano timbraram o percurso musical durante a quase hora e meia que durou o espectáculo, dividido em duas partes, e que pareceram curtas para um serão de tanta beleza.

Apesar de não ser novidade para nós, não nos custa admitir que começámos por pensar que para a maior parte daquela plateia, a São cantora deveria ser pouco menos do que uma desconhecida no início da noite. Porém, ao presenciar os aplausos e as homenagens com que foi tributada ao intervalo e no fim do espectáculo, essa percepção logo se dissipou. Para além disso, notou-se a qualidade dos espectadores, gente quase toda ela frequentadora de promoções culturais, onde a música ocupa certamente lugar de destaque. E com isso beneficiou a própria São, que se deixou guiar pelo seu grande entusiasmo, qual jogador de futebol em estádio cheio.

«Seule», «Gaivota», «Meu Fado», «Prece», «Doce calor» e «Saudade» foram algumas das melodias interpretadas pela São no sábado, dia 22, em Lasalle. E se de todas os espectadores gostaram – neste caso a prova são os aplausos – tocou-nos particularmente a interpretação de «Saudade», canção extraída do folclore micaelense e que é para nós a canção de que mais gostamos. Achamos que a «saudade» toca a todos e a todas, mas aquela «Saudade» micaelense cantada da maneira que é toca muito mais a um ilhéu!, isto sem ofensa para ninguém.

No final, Benoit Des Roches, director-geral do Centre Henri-Lemieux, subiu – ou desceu, vai dar ao mesmo – para abraçar a artista, sinal do seu contentamento, isto debaixo duma «chuva» de aplausos. (Des Roches fez anos neste mesmo dia, estando ali em vez de estar com a família. Sintomático!)

De referir que no início do espectáculo, ao intervalo e no final foi servido Porto a quem quis.

Curiosidade foi termos dado conta da presença de para aí uma vintena de portugueses.

Exposição

Neste Centre Henri-Lemieux, um complexo muito completo, com salas de exposições, teatro e outros, está aberta ao público uma bonita exposição chamada «Olhares do Futuro – uma retrospectiva dos Prémios François-Houde». Trata-se de uma exposição itinerante da responsabilidade do Conselho das Artes de Montreal e que trata da enorme qualidade criativa de jovens locais virados para a descoberta da identidade urbana do nosso dia a dia. Uma exposição a não falhar.