Raymond Bachand, candidato por Outremont
Do PQ ao Partido Liberal
Reportagem de Norberto Aguiar

Outremont – Foi na sexta-feira passada que o Partido Liberal do Quebeque apresentou, através da Associação Liberal de Outremont, o seu candidato às próximas eleições intercalares, previstas provavelmente para o mês de Dezembro, no círculo eleitoral de Outremont. E o candidato não é outro que Raymond Bachand, um «peso-pesado» da vida económica, cultural, política e social quebequense e antigo membro do Partido Quebequense do tempo de René Lévesque e de Pierre-Marc Johnson. Esta candidatura aparece no seguimento do abandono da política do não menos popular, Yves Séguin, até há pouco tempo um dos ministros mais importantes do Gabinete de Jean-Charest.

Raymond Bachand

O novo candidato liberal, apresentado pela ministra da Cultura e das Comunicações, também ministra responsável pela grande região de Montreal, Line Beauchamp, e na presença do primeiro-ministro, relatou as suas ambições quanto à investidura liberal por Outremont, «onde vivo há mais de 20 anos, onde estudei, primeiro no Colégio Stanislas e depois na Universidade de Montreal, e onde ensinei, na HEC...». E quando uma jornalista local lhe colocou a questão se conhecia suficientemente o distrito eleitoral por onde vai concorrer, o que provocou alguma indisposição nalguns residentes presentes, Raymond Bachand replicou que «Conheço-o um pouco. Mas quero conhecê-lo mais», disse com alguma humildade. Na ocasião, o candidato liberal aproveitou a deixa para falar nos projectos que conta defender no seu distrito, falando essencialmente dalguns que andarão à volta da Universidade de Montreal.

Mas Raymond Bachand falou de muito mais. E a sua intervenção, que demorou alguns (vários) minutos, começou pela sua actividade como membro do Partido Quebequense, onde disse ter tido uma «actividade intensa» nos tempos de René Lévesque e Pierre-Marc Johnson. Mas hoje é no Partido Liberal que quer desenvolver a sua acção política, por considerar que é este partido que melhor defende «os valores de tolerância e de solidariedade» e o que está mais bem preparado para o «Debate de Ideias» de que o Quebeque tanto necessita.

Confrontado com as suas ligações independentistas, Raymond Bachand, sem negar o passado, considerou que as reivindicações de então já não têm razão de ser hoje em dia. «Nos anos sessenta, nós quase não tínhamos voz. Tínhamos problemas de língua, de liderança, éramos discriminados, etc. Hoje são problemas ultrapassados e o melhor disto tudo é que foram resolvidos no interior da Federação Canadiana. Daí eu considerar que neste momento as nossas preocupações terão que ser apontadas para o desenvolvimento do Quebeque, principalmente em tempos de mundialização». E logo depois invocou o que se passa na Europa, onde países como a França e Alemanha, por exemplo, estão a perder soberania. «Hoje é em Bruxelas que se decidem a maior parte dos programas económicos e sociais dos países europeus», disse.

Há 25 anos fora da arena política por opção, Raymond Bachand «militou» até agora na Métro-Richelieu, Culinar, FTQ e Grupo Secor, nomeadamente, onde as suas capacidades de administrador foram (são) por demais reconhecidas. Também em termos sociais e culturais Raymond Bachand tem uma lista repleta de serviços de voluntariado, passando de administrador a presidente de muitos Conselhos de Administração com a maior das facilidades. E que dizer da sua formação académica que começa numa licença de advogado e termina num doutoramento em Administração da famosa Universidade Harvard?

De Raymond Bachand, Jean-Charest, na sua intervenção no decorrer da conferência de Imprensa diria que «É um homem com uma capacidade impressionante. Tem grande visão do futuro do Quebeque e é um valor enorme para a nossa equipa».

Considerando-se um produto dos anos 60, o candidato liberal pelo círculo eleitoral de Outremont, que se disse admirador de René Lévesque e John Kennedy, se dúvidas haviam, terminou a sua intervenção de aceitação de candidatura dizendo que «O Partido Liberal é neste momento a melhor opção para dirigir o Quebeque». E mais adiante: -- Os próximos 15 anos têm que ser dedicados ao desenvolvimento do Quebeque e não a problemas de Constituição.