Equipa Richard Théorêt:
Os princípios antes das promessas
Por Jules Nadeau e Norberto Aguiar

«Pierre Bourque é o candidato que defende melhor a Democracia. Ele quer descentralizar. Nós não queremos que 60% do orçamento público seja gerido por um pequeno grupo por detrás das portas fechadas. Ao invés, Gérald Tremblay é um grande centralizador como nós nunca vimos. Ele prometeu que os candidatos de 2005 seriam escolhidos de maneira democrática mas ele quebrou este entendimento». Foi assim que Richard Théorêt, candidato à presidência da Freguesia do Plateau Mont-Royal, resumiu a posição da sua equipa, a do ex-maire Bourque.

 

Nesta tarde de sábado cheia de sol, Richard Théorêt, ex-comissário de escola, nos acolhe com Rose Carone, no bar-restaurante desta da rue St-Denis, onde muitos jovens entram e saem vestidos de Halloween durante a nossa entrevista. Com Rose Carone, de origem italiana, encontramos também Natércia Rodrigues, também ela candidata, ao cargo de conselheira de Jeanne-Mance, da Freguesia do Plateau Mont-Royal. «Estou no Canadá há 41 anos e há 22 que vivo no bairro. Conheço toda a gente», precisa ela logo de entrada, malgrado uma timidez aparente. Natércia Rodrigues está implicada na Comunidade Portuguesa, fazendo parte, nomeadamente da Casa dos Açores, onde desempenha o cargo de directora da Cultura.

À célebre questão «Êtes-vous prêts?» nós procuramos saber se a equipa dos três tem projectos concretos para a Freguesia. Algumas boas promessas eleitorais? Os três partidários de Pierre Bourque mostram-se prudentes. Nada «à l’emporte pièce». O mais falador, Richard Téorêt, insiste sobre os princípios. «Gestão de equipa. Tomada de decisões colectivas. Todos têm o direito de voto. Os cidadãos têm o direito à informação e à transparência».

Rose Carone, de cigarro em cigarro, demonstra igualmente prudência: «Estamos aqui para ouvir!», ao mesmo tempo que lançava uma farpa ao adversário Michel Prescott: «Ele anda aí há 24 anos. O que foi que ele fez a favor da Comunidade Portuguesa? Vamos derrotá-lo. Nós vamos fazer mais e melhor!», insistindo na sua afeição para com a Comunidade portuguesa.

O projecto do Bairro Português? Natércia Rodrigues usa da palavra para distinguir claramente três assuntos importantes: o boulevard St-Laurent, assim como os Parques dos Açores e de Portugal, aos quais ela quer dar um «look mais português» e um maior papel cultural. Sobre este assunto, Richard Théorêt lamenta a ausência duma associação de comerciantes forte que poderia se pronunciar nomeadamente sobre o carácter a traçar no boulevard St-Laurent que não pode ser português a 100%.

O ex-comissário escolar Théorêt, em tom calmo e reflectido, regressa uma vez mais sobre a boa gestão dos serviços de proximidade: circulação mais lenta junto às escolas, a limpeza dos ecopontos, contratos de limpeza da neve a rever, os buracos nas ruas e os esgotos. «Pierre Bourque quer recuperar 200 milhões para redistribuir pelas freguesias... com somente 16 milhões, como fazer para reparar os esgotos, aqui?»

A terminar, surgiu uma promessa eleitoral. «A nossa equipa garante 33% de postos de trabalho auxiliares e 55% de empregos permanentes às pessoas das Comunidades Étnicas para os próximos quatro anos e isto aplicar-se-á também às freguesias», afirmou Richard Théorêt ao mesmo tempo que admitia que nem Gérald Tremblay nem Pierre Bourque fizeram grande coisa neste domínio.