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A Eleição de Bento XVI e a Outra Igreja!

Fernando Pires

Por Fernando PIRES

As reacções e as críticas dentro da própria «igreja» dos cristãos foram muitas, e acerbas, na denúncia quanto à escolha do novo Papa.

Esta eleição de Joseph Ratzinger, caiu como um balde de água fria na América Latina, assim como noutros países de outros continentes. Se uma Alemanha diz que a eleição deste Papa é «um dia histórico e único para a Baviera», a outra Alemanha diz que «foi uma grande decepção para as inúmeras pessoas que esperavam um papa reformista». Quem o afirma é Hans Kung antigo conselheiro do Concílio do Vaticano II.

Este professor catedrático de teologia ecuménica na Universidade de Tubingen, que foi colega de Bento XVI na mesma universidade, acrescenta que «se esperava que os cardeais tivessem deliberado mais tempo para ter encontrado alguém que não seja de uma linha conservadora». A. Kung acusa também Joseph Ratzinger dos pecados cometidos por ter «participado» durante a sua juventude no regime nazi de Hitler.

Na primeira homilia que Bento XVI proferiu, facilmente nos apercebemos que o dogma lhe serve de pretexto para combater aquilo a que ele chama «ditadura do relativismo da modernidade» e de «marxismo». Por isso, não nos surpreende que tenha combatido Maio de 68 em França, na altura que estudava teologia com A. Kung. Nomeado cardeal, Bento XVI foi durante 23 anos o «inquisidor» da doutrina da Congregação da Fé de João Paulo II.

Foi durante o seu reinado que Leonardo Bof, em 1985, e outros defensores da teologia da libertação, foram excluídos do ensino desta teologia na América Latina. Diz ainda L. Bof que «será difícil amar» o novo papa depois da abertura pelo Concílio do Vaticano II 1962-1965, para quem esta teologia foi «sinal de compreensão e não mais anátema, do diálogo e tão pouco da condenação».

Quando Joseph Ratzinger fala de restauração moral, decerto que defende uma «moral de direita», e também uma teologia do neo-liberalismo, que vai contra os princípios da teologia da libertação reivindicados pela igreja da América Latina.

Como Salazar, Bento XVI inspirou-se na mística e na teologia de Santo Agostinho. Ora sabe-se quais foram depois as consequências que afligiram toda a Europa... E que dizer quando ele afirma que «os cristãos são uma minoria no mundo» servindo-lhe assim de pretexto para invocar a religião católica como superior às outras religiões? A «ditadura do relativismo» que ele condena de certo que não escapa ao seu passado nas Juventudes Hitlerianas. Daí a sua dificuldade em dialogar com os cristãos. Isto é confirmado por um seu compatriota, Stephan Welo, representante da Igreja Alemã em Portugal, que diz que «o novo Sumo Pontífice tem uma visão rígida do diálogo inter-religioso».

Numa entrevista dada ao jornal «Libération» e transcrita pelo jornal «Le Devoir», o jornal pergunta a Christian Torres, director da revista católica crítica GOLIAS, «se já alguma vez houve debate entre conservadores e progressistas no seio da Igreja». Resposta: «a Igreja tenta dar-se ares de democracia para tentar apagar o seu aspecto monárquico absoluto». E o director da revista acrescenta: «ela soube perfeitamente neste sentido, instrumentalizar os jornalistas encarregados da informação religiosa nos meios de comunicação católicos, fazendo crer que havia um debate entre conservadores e progressistas». Para além disto, não é difícil apercebermo-nos que tudo estava «cozinhado» de avanço antes da eleição do conclave na capela Sixtina. Joseph Ratzinger já tinha feito arranjo político com 50 cardeais, e dos 40 outros indecisos, 30 caíram no final da eleição para o seu lado.

Será que houve a mão de Deus ou da Opus-Dei neste conclave?

Terminando aqui, citaremos mais uma vez a revista católica que diz que Bento

XVI «como grande intelectual e como fino táctico, tentará de aliar pensadores leigos como o filosofo alemão Habermas e o americano Francis Fukuyana no combate contra a modernidade».

Oxalá que Michel Onfray não se engane quando afirma que os três «monoteísmos animados por uma mesma pulsão de morte genealógica, compartilham uma série de desprezos idênticos: raiva de todos os livros em nome de um só, raiva da vida, raiva das mulheres... E, em vez de tudo, obediência, submissão e gosto pela morte».

 

Ref: Jornal «O Público» 24-04-2005

Jornal «Le Monde» 7-04-2005

Radio-Canada (Maisonneuve à l»écoute) 20-04-2005

«Le Devoir» 20-04-2005 e 24-04-2005

Michel Onfray - Éditions Grasset 2005

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