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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume IX - Nº 116 - Montreal, 1 de Maio de 2005

 
   
     
DO AQUÉM:  
Império ou República Federal?  
Por Fernando Pires  

Como pensar uma República Federal como os Estados Unidos da América do Norte, quando 80 milhões de cidadãos fundamentalistas ditos cristãos e quando os detentores do capital servem de correia de transmissão a um «imperador que ousa falar em nome da liberdade e da democracia? Antes da ocupação do espaço das três Américas pelos Europeus, este espaço, mais especificamente dos Estados Unidos da América do Norte, era um espaço de Ameríndios. Mesmo se a Constituição deste país não menciona explicitamente os Estados Unidos como sendo uma República Federal de Estados (em vez de República de Estados Nações onde as nações dos índios com os seus costumes se pudessem «reconhecer» dentro da sua nação).

Depois da guerra da independência, contra a coroa britânica, a federação era composta de13 estados; juntaram-se depois 37 outros estados que hoje compõem os 50 estados administrativamente independentes. Contudo, de certo modo, o poder executivo está nas mãos de um só homem que, em nome de Deus é o seu predilecto para governar o mundo (mesmo se a Câmara dos Representantes e o Senado o podem impedir); coisa que estes organismos não puderam fazer durante a invasão do Iraque, porque o vice-Deus Bush detinha a maioria do poder legislativo.

De forma que quando se trata de invadir outros povos, o imperador só responde perante Deus, dado que ele é o comandante supremo das forças armadas e do mundo na terra. O poder legislativo é simbólico, e o senado serve apenas para autorizar ou desautorizar orçamentos da máquina de guerra ou outros. Assim, o vice-Deus põe e dispõe à sua maneira! Que democracia e liberdade podem invocar este vice-Deus que, quando da burlesca invasão do Iraque disse que não precisava das Nações Unidas para decidir da invasão ou não deste país, em nome da «montagem» das armas de destruição massiva! Quem manda actualmente nos Estados Unidos e no mundo? Para além do imperador é o grande capital mundial que decide do dinheiro que deve investir na eleição de um imperador para que este possa defender os interesses dos poderosos. É assim que surgem grandes monopólios como Carlyle Grupo e Hollinger Internacional, uma filial da americana Hollinger Inc., controlada pelo «escroque» Conrad Black.

Deste primeiro grupo diz-nos Michel Chossudovsky, conselheiro de organismos internacionais e das Nações Unidas, que Frank Mackenna ex- primeiro ministro do Novo Brunswick e actualmente embaixador do Canadá nos Estados Unidos está ao corrente do que «se joga nos corredores» da companhia Carlyle visto que ele «faz» parte do concelho de administração da Carlyle ao lado de Bush sénior e de Frank Carlucci (de que a família Ben Laden era também accionista até à data do 11 de Setembro de 2001). Sabe-se também que Carllyle tem investimentos na Galp em Portugal.

Segundo Michel Chossudovsky, «Carlyle é o principal investidor privado na indústria da aeroespacial e na defesa do Canadá e dos Estados Unidos». Continuando, Chossudovsky menciona ainda que Carlyle tem uma «função de formulação da política estrangeira da defesa» que é liderada pelo NORTHCOM (Comando Norte Americano) e o Canadá é parte integrante deste organismo.

Mais ainda, segundo Chossudovsky, a Carlyle tem tentáculos na Europa e no Médio-Oriente. Em 2001, Saudi Ben Laden investiu na Carlyle 2 milhões e meio de dólares. Visto que F. Carlucci é um dos grandes carolas a nível do conselho de administração deste monopólio, outrora ligado à CIA e agora «implicado» na indústria de guerra. F. Carlucci apoderou-se do grupo Carlyle em 1994. Quem dos portugueses em de Abril 74 não se lembra de Frank Carlucci, embaixador dos Estados Unidos em Portugal?. Será que se não fosse o General Costa Gomes lhe ter dado a volta na altura, como Presidente da República e apologista da paz, (e isso mostrou-o quando depois de deixar a presidência da República veio a Montreal fazer uma conferência sobre a paz) e também devido à sua experiência na NATO como militar; e se os comunistas não têm pousado as armas não teríamos nós tido uma guerra civil em Portugal dado que a extrema- direita estava estacionada em Espanha pronta a agir? Quem no-lo diz é o Vasco Lourenço que conhecia todos os meandros da política como responsável militar regional de Lisboa na altura. Ainda mais, François Missen diz também que quando Carlucci foi embaixador em Portugal, o Banco Espírito Santo chegou a bater-lhe à porta.

Para concluir, não podemos deixar de dizer que os impérios sempre caíram e vão continuar a rebentar pelos costados, é uma questão de tempo. Assistimos actualmente a um paradoxo mundial em termos de produção de produtos manufacturados e alimentos. Os países ricos produzem armas, e os países pobres produzem alimentos.

Quem no-lo afirma é ainda Chossudovsky que não se cansa de repetir o seguinte «Numa lógica perversa, os países ricos utilizam os seus sistemas de armamento avançado para ameaçar ou para levar a guerra até aos países pobres e em desenvolvimento que produzem os seus bens de consumo».

Ref: L' Autre Journal (O Outro Jornal) Março 2005N-237 -- Abril 2005 N-238

Francois Messen: Le Réseau Carlyle (O Elo Carlyle) Flammarion 2004, France

 
 

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