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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume IX - Nº 115 - Montreal, 15 de Abril de 2005

 
   
     
Prenda de aniversário  
Dia da Mulher do LusoPresse  
Por Vitória Faria  

Tal como anunciávamos na nossa edição do dia 15 de Março, levámos a efeito um acontecimento, algo inédito, para assim concluir os festejos do nosso oitavo aniversário e, ao mesmo tempo, celebrar o Dia da Mulher.

Oito anos de vida dum jornal e a vida de oito mulheres, poderíamos assim resumir o tema que nos levou organizar aquele encontro, o qual só foi possível graças ao generoso patrocínio do restaurante Le Vintage, onde decorreu o evento, e que nos proporcionou não só um excelente menu como um ambiente acolhedor que ficará memorável, estamos certos, de todos quantos nele participaram. A Televisão Portuguesa de Montreal teve também a gentileza de estar presente e fez uma reportagem do encontro que passou no passado sábado.
 

As convidadas já eram do conhecimento dos nossos leitores graças à resenha que delas fizemos no último número. Mas uma resenha, como se compreende, nunca poderia dar a conhecer realmente quem eram as participantes. Foram oito as mulheres que, depois duma breve apresentação, se nos deram a conhecer, tanto no que dizia respeito à trajectória que as trouxe até ao Canadá, como pelo empenhamento que assumiram perante a comunidade ao longo deste anos que têm vivido entre nós.

Teríamos gostado que o número das convidadas fosse mais largo e mais representativo, sobretudo no que diz respeito à Lusofonia, mas infelizmente não pudemos contar senão com uma senhora do exterior da comunidade portuguesa mas grande amiga dos portugueses.
 

Evidentemente que não nos é possível relatar aqui tudo quanto foi dito. Por isso limitamo-nos, uma vez mais, a fazer um resumo do que cada uma avançou. Mas, antes de o fazer, permitam-nos que realcemos o que nos pareceu ser o denominador comum destas mulheres e que elas insistiram em sublinhar.

É que, ao contrário do que por vezes se ouve, a comunidade não está a definhar. Há um certo cansaço, sim, mas elas, como em tantas outras ocasiões estão prontas a arregaçar as mangas e lançar-se ao trabalho. O entusiasmo com que nos falaram do seu empenho, sem esquecer algumas decepções, leva-nos a crer que elas estão prontas a pegar no testemunho que os homens da velha geração, por cansaço ou velhice, estão cada vez mais prontos a deixar às mulheres e aos mais novo. Portanto há esperança.

- Neuza Hage, a primeira a falar, não é portuguesa mas brasileira porque, justamente, o LusoPresse não é um jornal português mas sim um jornal lusófono, e com os brasileiros partilhamos a mesma língua. Acontece que ela é dirigente e a principal fundadora da Casa do Brasil. Ao chegar ao Canadá como não conseguia utilizar o seu diploma de pedagoga e nem mesmo o mestrado aqui obtido, resolveu abrir uma escola de língua portuguesa falada no Brasil, em colaboração com a Escola de Santa Cruz. Visto assim conseguia facilitar a integração dos novos emigrantes, daí nasceu a ideia de fundar um organismo que agrupasse os brasileiros que, segundo ela, não têm grande sentido gregário. E ainda hoje a Casa do Brasil continua só no seu papel de associação da comunidade brasileira de Montreal.

- Idalina Moniz, é actual dirigente da Missão de Nossa Senhora de Fátima de Laval. Chegou aqui criança e começou por ser a «comunicadora» da família, pois ninguém falava nenhuma das línguas do país. Integrou-se facilmente mas quando o pai fundou a Associação Portuguesa de Laval, sentiu um apelo de saber um pouco mais sobre as suas raízes. Muito naturalmente implicou-se na associação, no grupo de teatro da mesma e em seguida na Associação de Nossa Senhora de Fátima. Recentemente desempenhou um papel importante na geminação da cidade de Laval com a de Ribeira Grande. É jovem e de espírito aberto mas constata que as mulheres têm dificuldade em ser tomadas completamente a sério, como um homem o é. Quanto a ela, haveria um único organismo português onde fossem integradas as múltiplas organizações portuguesas, cujos objectivos são no fundo os mesmos.

- Lúcia de Sousa, apesar de pouco conhecida a nível geral, tem desenvolvido desde há largos anos uma acção comunitária de valor. Ao chegar a Montreal era uma adolescente ferida pela morte precoce do pai e que obrigou toda a família a avançar corajosamente. Ao casar-se foi estabelecer- se na Ville d'Anjou e foi lá que tudo começou. Tomou exemplo simplesmente do pai que era pessoa muito implicada na terra. Foi o marido que primeiro foi presidente do Centro Comunitário do espírito Santo de Anjou e, durante esses oito anos, ela sempre colaborou. Mas quando por altura de eleições não havia gente interessada em se implicar, por brincadeira, ela ofereceu- se. Claro que foi aceite de braços abertos e nunca ninguém se arrependeu. A sua acção como presidente foi extremamente importante e, mesmo se hoje já abandonou esse cargo, continua a colaborar, sobretudo na organização de festas.

- Ana Maria Rodrigues, é a actual directora-geral do Centro de Acção Sócio-Comunitária de Montreal desde 1985 (na altura chamado Centro de Referência). Tinha três anos quando aqui chegou e nunca frequentou a escola portuguesa nem viveu no bairro português. Perfeitamente integrada na cultura quebequense começou por ensinar, mas depressa se apercebeu que não era exactamente a isso que queria dedicar a sua vida. Por um certo acaso entrou para o Centro de Referência para substituir temporariamente alguém. Mas, já sensibilizada aos problemas que enfrentam as crianças emigrantes, aí continuou a sua acção tendo entre outras coisas criado programas para a 3ª idade. O desafio é de criar programas educativos com resultados imediatos. O Centro oferece também ajuda aos conselhos de administração das associações, como dar formação e como captar os jovens, mas infelizmente não há muitos pedidos. Com uma vasta experiência em dossiers de índole social, educacional e de integração, ela é uma das pessoas mais competentes e respeitadas na comunidade.

- Fernanda Oliveira, que chegou ao Canadá em 1960, altura em que os emigrantes provenientes dos Açores eram automaticamente considerados como trabalhadores rurais, mesmo se originários dum meio urbano, nunca esqueceu a atitude desenvolta e humilhante do cônsul da altura. Se alguém que era pago pelo governo português para encaminhar os compatriotas se comportava assim, que poderiam eles esperar dos outros? E a sua ideia fez-se: ajudar os recém-chegados nos meandros da sociedade de acolhimento, acção que nunca abandonou. Chegou a singrar no meio político no seio dum grande partido. Hoje não está envolvida em nenhum organismo, mas continua a ser uma das mulheres mais conhecidas da comunidade portuguesa e ainda ajuda muita gente em assuntos de emigração. Considera que a mulher tem de se afirmar e se fazer respeitar, sem nenhum sentimento de culpabilidade. - Graça Barbosa, que veio contrariada para Montreal há cerca de vinte anos, hoje não voltaria ao país por nada. Deixou em Portugal um trabalho que adorava e teve de se resignar a outro bem menos interessante. Para compensar essa lacuna e as dificuldades da adaptação procurou a companhia dos compatriotas no seio do Clube Oriental Português de Montreal. Gostou tanto que há 10 anos que é dirigente e se sente como peixe na água, como as outras mulheres da Direcção. Diz obter facilmente dos homens toda a colaboração necessária e não se sente descriminada. - Fátima Fernandes, embora desligada actualmente das «coisas comunitárias», foi dirigente durante vários anos da Associação Portuguesa de Nossa Senhora de Fátima de Laval, tendo mesmo chegado a presidir o organismo. Chegou aqui jovem e frequentou a escola inglesa e o Cegep mas teve de deixar os estudos por esse nível, pois em casa eram seis irmãos. Estudou em ciências sociais e depois do casamento, por um puro acaso com um português, começou a assistir às festas portuguesas. Foi então que tomou o gosto de colaborar na associação onde via tanta coisa para fazer. Chegou a fazer parte do rancho Folclórico Estrelas do Atlântico.

- Joaquina Pires, a mais conhecida de todas as homenageadas. Tinha 10 anos ao chegar e foi num dia de festa, a dos irlandeses, que muito a encantou. A sua vida decorreu entre as ruas Duluth, Berry e Jeanne Mance. E continua fiel ao Plateau. Ao frequentar a Universidade de Montreal queria ser jornalista e o único contacto que tinha com a comunidade era através do Movimento Democrático. Nessa altura dava cursos de francês e foi então que o Centro de Referência a contratou para trabalhar na sua organização. Depois duma estadia de 3 anos em Portugal após o casamento, voltou novamente para o Centro. Actualmente trabalha na Câmara Municipal e não está ligada a nenhum organismo comunitário mas dá a sua colaboração a quem necessita. Segundo ela, o ideal seria que a comunidade tivesse um objectivo comum. Tem um certo optimismo pois há 6 grupos folclóricos que estão cheios de jovens e há o Carrefour Lusófono. As mulheres estão presentes em todo o lado mesmo se por vezes a sua presença é na cozinha do clube. Na sociedade antiga cada um tinha o seu espaço bem definido. Hoje a mulher acha-se com uma dupla tarefa mas começa a haver muitos homens que o reconhecem e têm a abertura de dar a voz às mulheres.

Para concluir, todas acharam a ocasião de partilhar as diferentes experiências de cada uma como interessante e potencialmente frutuosa. Foi lançada a sugestão de haver um tema por ano e de o jornal ir publicando sobre o assunto a discutir. Outra sugestão foi de pedir a colaboração dos leitores do LusoPresse sobre os assuntos que gostariam de ver debatidos. É importante, melhor, é urgente, destruir preconceitos e lutar contra as ideias feitas. A escuta das vozes das mulheres mais velhas talvez fosse uma descoberta. Uma ideia lançada já no último minuto mas não a menos interessante, foi a de levar as crianças das escolas portuguesas a visitar o LusoPresse para compreenderam como funciona e é feito este órgão de comunicação da nossa comunidade.


 
 

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