www.lusopresse .com

  Este espaço está reservado para si !
514-272-0110

www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume IX - Nº 114 - Montreal, 1 de Abril de 2005

 
   
     
Romeiros 2005  
«A reza de choro...»  
Reportagem de Norberto Aguiar  

No convite feito, via telefone, pelo Mestre João Vital, foi-me dito: «Partimos às 07h00 da Igreja Santa Cruz em direcção à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Laval». À hora prevista lá estava eu. Mas, pelos vistos, cheguei adiantado, o que não é muito meu hábito diga-se em abono da verdade. Na ocasião perguntei pelo atraso verificado, ao que me responderam com a ausência da polícia, que ao contrário de outros anos, agora espera pela rendição do quarto de trabalho, evitando assim que a meio do trajecto montrealense haja «render da guarda».

Eram 7h30 quando foi dado o «toque de partida», na presença do Padre José Maria Cardoso. Na dianteira e na traseira do grupo de 103 «irmãos», mais alguns populares, vários carros de polícia, muito embora na sexta-feira, Santa para os católicos, o trânsito fosse quase inexistente.

Saídos de Santa Cruz, os Guias (João Ledo e Gabriel Couto), com o benjamim do grupo (Bruno Almeida), que ostentava (ostenta sempre) a cruz ao peito, tomaram a rue Rachel em direcção à rue St-Dominique, que levaria o rancho até à Eglise Saint-Enfant-Jèsus, primeira paragem, primeira oração, apesar das portas do grande templo estarem fechadas.

Retomada a marcha em direcção a Laval, os Romeiros 2005, de cânticos entoados, onde o Pai-Nosso e a Ave-Maria (aqui entram em acção o Procurador das Almas, Laudalino Rebelo, e, já agora, o Lembrador, António Moniz) eram (são) reis e senhores, dirigiram-se para a Église Notre-Dame de la Défense, rue Dante, templo associado à Comunidade Italiana de Montreal. Aqui, feita a segunda oração pelo Contra-mestre Manuel Luís, as portas da Église Notre-Dame de la Défense abriram-se para outra oração, agora feita pelo Mestre João Vital.

Da rue Dante, a marcha seguinte levou os romeiros até à Église Sainte-Cécile, na rue De Castelneau. Os populares no adro desta igreja já começavam a ser em maior número, mas nada comparado com aquele que fomos encontrar na Église St-Vincent Ferrier, rue Jarry. Nesta igreja, a oração foi mais prolongada, pois trata-se duma igreja «portuguesa», onde faz figura de responsável o Padre Carlos Dias, o qual acolheu o rancho com palavras de carinho, para depois falar nas raízes micaelenses desta tradição secular, e terminar o seu sermão falando de caridade e penitência. O Padre Carlos Dias agradeceu ainda «as rezas que fizestes nesta igreja» e pediu-lhes para que pedissem nas suas orações pelos não crentes. E prometeu uma missa, a 1 de Abril, por alma de todos os familiares dos romeiros. Foi nesta igreja, no seu salão, que foi servido o primeiro lanche do dia. O período de descanso foi de sensivelmente meia hora. Massa sovada e sandes de queijo de cabra e café foram distribuídos por todos. «Disseram-nos que seriam 70 a 80 pessoas... Já vamos em mais de 100». Tinha razão o voluntário que abordámos.

A caminho de Laval À saída da St-Vincent Ferrier vimos um repórter da TQS entrevistar algumas das pessoas presentes. «Ó Senhor, a gente era muito pobre...», ouvimos ao longe. O cortejo, indiferente ao frio que se fazia sentir, caminhou em direcção à cidade de Laval. Antes, porém, quedou-se por mais uma oração, agora na Église Ste-Odile, na rue Salaberry. Era a despedida de Montreal.

Longa já era a caminhada, e os Romeiros 2005 dirigiram-se para a Pointe-Lachapelle, passo derradeira na entrada na Ilha de Jesus. À sua espera estavam os polícias de Laval, agora responsáveis pela segurança dos romeiros, em substituição dos seus colegas montrealenses.

Em Laval, o cortejo passou, sucessivamente, pela Église St- Maxime, Cemitière Saint-Martin e... Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Prevista para as 14h00, a chegada dos romeiros à igreja portuguesa de Laval verificou-se pelas 15h30. As portas do Templo já estavam abertas, com o Padre José Vieira Arruda, portador duma cruz gigante, à espera dos peregrinos.

Rapidamente a Igreja Nossa Senhora de Fátima se encheu. Dos romeiros, de familiares, e de católicos anónimos. O resto ficou por conta do Mestre João Vital e do Padre Vieira Arruda. Cânticos e rezas diversas, próprias de romeiros micaelenses de várias gerações, fizeram parte das orações do Mestre Vital, todas escutadas com grande atenção e religiosidade. João Vital, tal como Manuel Luís, pelas opiniões que recolhemos aqui e ali, estiveram mais uma vez à altura das responsabilidades das funções que desempenharam à frente dum rancho de 103 elementos.

A intervenção final na Igreja de Nossa Senhora de Fátima coube ao Padre José Vieira Arruda, seu responsável máximo. As suas palavras foram escutadas com interesse e agrado. Depois de dar as boas-vindas aos 103 «irmãos», o Padre Arruda falou na fé, na paixão, e no sofrimento e morte de Jesus Cristo. E falou na saga dos romeiros, que «actuam» muito para além da fé. «As romarias já são uma questão de Cultura...», disse a dado passo o admirado prelado. «Não se esqueçam ainda que a vida é uma autêntica romaria e que Jesus Cristo é o nosso Mestre». E falou também dos que sofrem das terríveis doenças do cancro e da sida. Direccionando algumas críticas, o pároco lavalense terminaria dizendo que «precisamos da Igreja por que não somos Santos.» O último lanche do dia foi oferecido no Centro Comunitário. Sopa, sandes e café fizeram parte da ementa. Seguiram-se momentos de confraternização.

Nota: Pela primeira vez integraram o rancho local cinco «irmãos» da zona de Kingston (Ontário). José Pacheco, Mestre dos romeiros daquela cidade, encabeçou a pequena delegação. Os forasteiros esperam, em 2006, retribuição da visita por parte dos «irmãos» quebequenses.


 
 

Voltar ao topo da página
Página principal