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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume IX - Nº 114 - Montreal, 1 de Abril de 2005

 
   
     
Editorial  
A violência em Portugal  
Por Carlos DE JESUS  

Um relatório da Segurança Interna, elaborado pelo Gabinete Coordenador de Segurança, baseado em dados fornecidos pela PSP, GNR e PJ, revela que o aumento de acções criminosas com violência têm vindo a aumentar de forma alarmante nos últimos anos em Portugal.

Segundo os números publicados naquele relatório, os crimes violentos aumentaram de 3,4 porcento em 2004 comparativamente a 2003 e destes números há a realçar que a violência por parte dos grupos criminalizados, conhecidos por gangues, aumentou neste período de 5,7 por cento.

Embora ainda se não tenham números para este ano, a morte, nas últimas semanas, de três polícias, assassinados no exercício das sua funções, por armas de forte calibre, nos arredores de Lisboa, não só vem confirmar a tendência como a aumentar a curva ascendente, que quase poderíamos dizer, exponencialmente, da actividade criminosa no nosso país.

Isto é tanto mais confrangedor quanto o crime violento, seja organizado ou individual, já não se confina aos bairros pobres das zonas suburbanas, mas alarga-se igualmente às cidades pacatas da província onde a população já tem medo de sair à rua depois de certas horas do dia. Contribuem para este estado de insegurança, o número crescente de gangues, muitas delas oriundas da segunda geração de retornados ou refugiados das ex-colónias, cujos pais vivem em condições sub-humanas nos bairros da lata da cintura das grandes cidades. Outros alfobres de violência são a pobreza crónica de certas camadas da população que, não podendo satisfazer o desejo de consumerismo que grassa na sociedade portuguesa, ou para satisfazerem a dependência à droga, se atacam, geralmente, aos mais indefesos, como os idosos que são assaltados em plena rua, muitas vezes perante a atitude pusilânime das testemunhas.

Há bairros, particularmente na zona da Amadora, onde a polícia se recusa a entrar com medo das gangues e o número de agentes que pedem para serem deslocados daquela zona para outras partes do país é deveras inquietante, não só para a gestão do policiamento como para a tranquilidade das populações pacíficas daquelas áreas.

Um dos raros aspectos positivos deste relatório, que deverá ser enviado em breve à Assembleia da República, é que a taxa de homicídios baixou de 30 por cento naquele período. Todavia, com os assassínios dos agentes de polícia acima mencionados, é caso para nos perguntarmos se, para o ano, o relatório não será ainda mais negro, tanto mais que parte desta actividade criminosa é levada a cabo com armas de fogo de alto calibre e que o mercado negro das armas proibidas está cada vez mais florescente.

À volta desta «violência grupal», está-se também a assistir a um fenómeno novo, a «razia», a qual corresponde a assaltos múltiplos num curto período de tempo, levados a cabo por uma gangue. A palavra «razia» faz parte do calão dos grupos criminalizados, particularmente entre os jovens de 14 a 20 anos, segundo o dito relatório, com uma preferência acentuada pelos roubos violentos nas lojas de telemóveis, nos cafés e esplanadas. A par das razias, já se assiste também à evolução do furto miúdo para o roubo à mão armada.

É caso para se dizer que o país está longe da «terra dos brandos costumes» que deixámos para trás, e que o «jardim à beira-mar plantado» está em vias de se tornar em verdadeiro «Far West».


 
 

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