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Volume IX - Nº 113 - Montreal, 15 de Março de 2005

 
   
     
ESCRITORES DA LUSOFONIA  
Paulo Coelho  
Por Vitória FARIA  

O escritor brasileiro Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Antes de chegar a ser mundialmente conhecido como hoje é, trabalhou como autor teatral, director de teatro, jornalista e mesmo compositor de letras para alguns dos nomes mais famosos da música brasileira. Viajou muito pelo mundo inteiro e, como um autêntico hippie, fez experiências espirituais em religiões orientais e mesmo em sociedades secretas. Dessa época da sua vida, guarda um discreto rabo-de-cavalo, comum à geração Peace and Love.

O primeiro livro que escreveu e o segundo em que participou não tiveram êxito e ele próprio os fez retirar do mercado por considerá-los «de má qualidade». Mas em 1986 fez a peregrinação a Santiago de Compostela e a experiência espiritual do Caminho deu origem no ano seguinte a O Diário de Um Mago e em 1988 O Alquimista. Este livro é um dos fenómenos mais importantes do século XX, pois não só é o livro mais vendido de todos os tempos no Brasil, como em mais de dezoito países. Fez até agora um total de vendas de onze milhões e os direitos cinematográficos foram já adquiridos pela Warner Brothers. Seguiram-se outros títulos, Brida em 1990, As Valquírias em 1992, mas o mais conhecido deles é, Na Margem do Rio Piedra eu sentei e chorei, publicado em 1994. Em 1997 saiu O Manual do Guerreiro da Luz, no ano seguinte Veronika decide morrer e em 2000 O Demónio e a Srta. Prym. Organizou ainda uma colectânea de contos tradicionais que foi publicada com o título Histórias para pais, filhos e netos. O ano de 2003 foi o da saída de Onze Minutos, um outro sucesso monstro, que conta a história de uma prostituta que através da iluminação mística se consegue libertar da condição de escrava branca na Suiça. O último livro publicado intitula-se O Génio e as Rosas, e é uma recolha de contos tradicionais ilustrada.

Segundo a revista americana «Publishing Trends» Paulo Coelho vendeu até ao ano de 2003 um total de 65 milhões de exemplares e foi o autor mais vendido no mundo nesse mesmo ano com o livro Onze minutos, ocupando o primeiro lugar em todos os países onde ele foi lançado. Quanto a O Alquimista ficou em sexto lugar nas vendas mundiais desse ano, apesar do seu lançamento datar de quinze anos. Os livros estão traduzidos em mais de cinquenta línguas e editados em cerca de cento e cinquenta países.

A escrita de Paulo Coelho tem um estilo bem pessoal, onde se misturam espiritualismo, uma certa religiosidade, filosofia e ficção. O seu evidente fascínio pela busca espiritual não deixa ninguém indiferente. Há os que adoram e os que se mostram frios. Entre os admiradores podem citar-se o Prémio Nobel de Literatura Kenzaburo Oe, o Prémio Nobel da Paz Shimon Peres e a cantora Madonna, de quem é o autor favorito. Os seus textos têm sido a inspiração de vários projectos, como um espectáculo musical no Japão, peças de teatro na França, Bélgica, Estados Unidos e outros países.

São inúmeros os prémios recebidos ao longo da sua carreira e provenientes de diversos países, entre outros a França - várias vezes - a Itália, a Irlanda, a Espanha, a Polónia, a Alemanha e, naturalmente, o Brasil. O Alquimista foi adoptado nas escolas de França, Espanha, Portugal, Itália, Estados Unidos, Argentina e Brasil.

Em 2000 a França homenageou o autor fazendo-o Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra. Paulo Coelho é também membro do Instituto Shimon Peres para a Paz e Conselheiro Especial da UNESCO. Porém, a distinção que até hoje lhe deu mais prazer foi ter sido feito Membro da Academia Brasileira de Letras.

Pulo Coelho não só tem uma coluna hebdomadária no Globo, mas mantém também crónicas em jornais de vários países, sobretudo da América Latina.

Extracto de O Alquimista

O rapaz abriu os olhos quando o sol começava a surgir no horizonte. Diante dele, onde as pequenas estrelas tinham estado durante a noite, estendia-se uma fila interminável de tamareiras, cobrindo toda a frente do deserto.

- Conseguimos! - disse o Inglês, que também tinha acabado de acordar.

O rapaz, porém, mantinha-se calado. Aprendera a conhecer o silêncio do deserto e contentava-se em olhar as tamareiras na sua frente. Ainda tinha que caminhar muito para chegar até às Pirâmides, e um dia aquela manhã seria apenas uma lembrança. Mas agora era o momento presente, a festa da qual tinha falado o cameleiro, e ele estava procurando vivê-lo com as lições do seu passado e os sonhos do seu futuro. Um dia aquela visão de milhares de tamareiras seria apenas uma lembrança. Mas para ele, neste momento, significava sombra, água, e um refúgio para a guerra. Assim como um relincho de camelo podia transformar-se em perigo, uma fila de tamareiras podia significar um milagre.

«O mundo fala muitas linguagens», pensou o rapaz.


 
 

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