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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume IX - Nº 113 - Montreal, 15 de Março de 2005

 
   
     
Apontamento Breve  
Fascismo e fascistas  
Por Carlos de Jesus  

Há dois tipos de fascismo. O fascismo ideológico e o fascismo de facto. Há dois géneros de fascistas. Os da direita e os da esquerda. A actualidade do Quebeque das últimas semanas tem-nos dado exemplos concretos de ambos.

A carta publicada dum professor da Universidade Laval no jornal La Presse, a semana passada, dizendo que o Primeiro Ministro Jean Charest não é um verdadeiro quebequense porque se sente melhor em inglês do que em francês (diz o autor da carta) e o silêncio do Partido Québécois perante uma tal tirada, é um exemplo concreto do fascismo ideológico e do fascismo de facto. Ataques desta natureza são a manifestação dum tipo de nacionalismo que me mete medo. O nacionalismo da pureza da raça. Os nacionalistas que usam de tais tácticas aleitaram-se na mesma teta dos que também já acusaram Jean Charest de não amar o Quebeque e de não ser um «pura lã virgem» por ter sangue irlandês a correr-lhe nas veias. O mais grave é que estas duas últimas acusações vieram da boca de importantes personalidades nacionalistas, como o ex-primeiro ministro Lucien Bouchard e dum deputado «bloquista» cujo nome não me ocorre de momento.

Este é também um traço, diga-se em abono da verdade, mais frequente nos fascistas da direita.

Do género do fascismo da esquerda, mesmo se o Quebeque não tem o monopólio, tem sido aqui que ele mais frequentemente se tem manifestado. Foi o que aconteceu com um grupo de activistas na semana passada que impediu a Ministra e Presidente do Conselho do Tesouro, Monique Jérôme-Forget, de pronunciar uma palestra no Canadian Club de Montreal. É o que acontece sempre que os sindicalistas se opõem ao direito de falar dos opositores ou, pior ainda, quando se atacam, literalmente, às instituições democráticas.

Foi o que aconteceu quando o ex-presidente do Sindicato dos Colarinhos Azuis de Montreal e um punhado de militantes arrombaram a porta da Assembleia Municipal, para impedir a realização desta.

Para mim, todas as acções que procurem silenciar as vozes discordantes, são actividades fascistas, venham elas da direita ou da esquerda. Num regime democrático, é pelo debate das ideias e pelo voto que se fazem as mudanças sociais e políticas. Para mim, um democrata que se preza não só respeita o direito das opiniões contrárias como as deve encorajar.

É verdade que a violência de certas situações de injustiça, como a exploração dos trabalhadores, por vezes parece merecerem uma resposta violenta. Mas acho que não se deve cair em tal tentação. A acção dum Gandhi ou dum Mandela são provas mais que evidentes do que afirmo. As manifestações pacíficas dos últimos dias, no Líbano, vão nesta veia e vão ser muito mais eficazes para expulsar o exército sírio daquele país do que a chamada às armas.

Infelizmente, e isto é apanágio duma mentalidade fascista e antidemocrática, muitos militantes, tanto da direita como da esquerda, sofrem dum complexo maniqueísta. Eles, são os bons o outros são os maus. E, em nome da «verdade» que professam, tudo é permitido. É tempo que as vozes dos democratas se façam ouvir e que se chamem as coisas pelo seu nome. Um facho é um facho, independentemente da bandeira que agita.


 
 

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