www.lusopresse .com

  Este espaço está reservado para si !
514-272-0110

www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume IX - Nº 111 - Montreal, 15 de Fevereiro de 2005

 
   
     
Editorial  
Sonhar acordado  
Por Carlos DE JESUS  
No princípio achei o projecto interessante mas irrealizável. Projecto de
românticos e sonhadores. Conhecendo, como julgo conhecer, a lusa
mentalidade e o lado obscuro do associativismo atávico, a ideia estava
condenada, no meu espírito, ao cemitério das boas intenções. Mas acontece
que o acaso trouxe a matéria a lume, de novo, no passado domingo, numa roda
de amigos, e dei comigo a considerar a sua viabilidade.

A ideia não é nova mas não sei a quem lhe atribuir a paternidade.
Recentemente foi o novo Cônsul, Dr. Carlos de Oliveira, que a trouxe à
conversa. Mesmo parecendo irrealista, parece-me que as condições começam a
estar agora mais propícias para que lhe prestemos alguma consideração.
Refiro-me, em termos muito concretos, à criação dum grande edifício, no
centro da comunidade, que passaria a ser a nossa «Casa de Portugal», o
centro de que todos nos orgulharíamos, a garantia de atrair novas gentes e,
sobretudo a gente nova, para a actividade comunitária. Um centro que nos
daria o espaço necessário para realizarmos actividades de envergadura, e
manter ao mesmo tempo um conjunto de actividades permanentes, tanto
recreativas como culturais, desportivas ou comerciais que nos dariam uma
proeminência social notável, com todas as vantagens políticas e outras que
daí resultariam para a comunidade e para os portugueses em geral.


Posto nestes termos, é mesmo sonhar alto, não é? Mas, se viermos aos
pormenores da sua concretização, a «coisa» é mais viável do que parece à
primeira vista. Senão, vejamos.


Imaginem que no edifício em questão, uma parte seria ocupada, pelos actuais
organismos portugueses, do Consulado à Caixa, passando pelos Clubes e
Associações. Cada um ocuparia o espaço correspondente aos locais que hoje
ocupam ou ajustados segundo as actuais necessidades ou capacidades. Outra
parte do edifício seria reservado para actividades comerciais, como um
centro comercial de produtos portugueses e salões de festas que tanto
seriam utilizados pelos organismos presentes como alugados para casamentos
e recepções. O resto seria alugado a escritórios e empresas comerciais o
que iria assegurar uma fonte de receitas estável para as gerações
vindouras. Isto sem falar dum mega estacionamento que por si só seria um
manancial no centro da cidade.


Este é o objectivo do projecto. Para o realizar são precisos dois
ingredientes.
Primeiro é necessário arranjar alguém com larga experiência empresarial,
digno de confiança, capaz de desenhar e pôr de pé um plano de negócios
convincente para banqueiros, consultar arquitectos, dirigir empreiteiros,
encontrar inquilinos, etc. Claro que para tal cargo precisamos dum
profissional remunerado em consequência e devidamente enquadrado por uma
equipa de administradores voluntários que representem os organismos
investidores. Não é necessário que esse «alguém» seja português. Os
administradores, sim.
O segundo ingrediente é pôr de pé uma comissão, com espírito evangelista
suficientemente desenvolvido para converter os actuais organismos e seus
membros, sobretudo os que possuem bens de raiz, a investir neste projecto,
e tornarem-se assim proprietários e accionistas do edifício. Com a venda ou
hipoteca dos actuais edifícios da Caixa, da Igreja, do Oriental, da
Associação, do Clube, do Benfica, etc., iríamos assim buscar a «entrada»
para o projecto. O resto seria financiado por hipoteca e pago pelos
rendimentos como qualquer outro edifício no género.


Imaginem o poder de atracção e o impulso que uma iniciativa destas não
teria na vida da comunidade. Os jovens que tanto desdenham o que os
«velhos» lhes têm para oferecer actualmente, acorreriam em massa. Os
talentos «tresmalhados» voltariam como «filhos pródigos». Novos talentos,
novas oportunidades, novas iniciativas iriam surgir levados pela sinergia
de tal ousadia, disso estou certo.


Por hoje por aqui me fico. Prometo voltar ao assunto em breve. Até lá
mandem-me as vossas opiniões.
carlosdejesus@lusopresse.com
























 
 

Voltar ao topo da página
Página principal