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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume VIII - Nº 109 - Montreal, 15 de Janeiro de 2004

     
     
Editorial  
Confundir os cépticos  
Por Carlos DEJESUS  
Três semanas após a tragédia causada pelo Tsunami do dia de Natal que ceifou 150 mil vidas humanas, a notícia sobre as vítimas do maremoto continua a encher as parangonas dos média internacionais. O movimento de solidariedade mundial engendrado por tal mortífero desastre natural reconforta a nossa confiança na bondade humana. É verdade que foi preciso uma outra avalanche, a das imagens indescritíveis trazidas pelas câmaras de televisão e dos vídeos amadores, mostrando-nos vítimas arrastadas pelas vagas, pelo lodo e pelos destroços, para vir alargar os cordões da bolsa, tanto dos governos como dos simples cidadãos.

As promessas de ofertas de auxílio monetário e material começaram a afluir em tal profusão que o Secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, se viu compelido a criar uma comissão especial de urgência para canalizar e coordenar o auxílio internacional. Eis aqui uma excelente ocasião para redorar o lustre da ONU, tão denegrido pelo terrorismo islamista e pelos EUA e assim mostrar à face do Mundo inteiro quão necessária é a existência duma força supranacional que se sobreponha aos interesses egoístas dos estados.

As promessas de dávidas monetárias da parte dos governos chegaram mesmo, a dado momento, a parecerem caricatas, como se tratasse dum corrida à medalha do melhor benemérito. Para isso contribuíram os jornalistas que se apressaram a fazer quadros comparativos e a listar os nomes dos maiores doadores, como costumam fazer com as classificações dos atletas. Felizmente nem todos os governos caíram nessa tentação e até aqui bem ao pé de casa, temos o governo do Quebeque que, com os seus parcos 125 mil dólares (sobretudo se os compararmos com os oito milhões da Columbia Britânica ou os 5 milhões do Ontário) fez figura duma sovina pelintrice. No entanto, se se concretizarem as intenções apresentadas por Jean Charest, chefe do governo provincial, o qual prometeu dar um auxilio logístico e material semelhante ao que foi dado a Haiti por ocasião das inundações nas Gonaivas, o montante final do auxilio do Quebeque para as vítimas do Tsunami poderá elevar-se a vários milhões de dólares. Se assim for, é caso para se dizer que generosidade sem alarde vale mais que a esmola soberba. Ficamos pois à espera que as boas intenções se concretizem.

Na senda deste desastre, como já era de esperar, apareceram as aves de mau agoiro para lançar as mais inverosímeis hipóteses sobre as causas desta tragédia. Em primeiro lugar, por ordem cronológica do aparecimento na Internet, foram os adeptos da teoria do complot que saíram à baila para explicarem que não se trata de nenhum desastre natural mas sim duma experiência atómica americana. O boato, ao que parece, teria origem na imaginação dum jornalista espanhol. Ora, a avaliar pelos testemunhos dos sobreviventes, os sinais do tremor de terra foram bem sentido várias horas antes do maremoto e assim se explica que quase não houve vítimas entre os animais que fugiram a tempo graças ao instinto que os avisa em caso de tremores de terra. Em segundo lugar, foi a homilia dum mola islamista para quem este desastre foi o castigo de Deus contra os infiéis e pecadores que procuram o prazer nas praias turísticas da região.
















 
 

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