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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume VIII - Nº 108 - Montreal, 15 de Dezembro de 2004

     
     
Primeira grande entrevista do novo cônsul-geral de Portugal  
Um consulado aberto  
 
Diplomata de carreira, o Dr. Carlos Folhadela de Oliveira chegou a Montreal há pouco mais de dois meses, depois de duas missões no estrangeiro. A primeira junto da Embaixada de Portugal na Cidade da Praia, em Cabo Verde, onde a experiência andava mais à volta de questões de vistos e de cooperação internacional. A segunda, em França, nos arredores de Paris, mais propriamente em Versalhes, uma região onde vive quase um milhão de portugueses. Montreal é o terceiro posto no estrangeiro, e o segundo em terras de emigração portuguesa propriamente dita. Evidentemente que os problemas da área consular deste lado do Atlântico não são os mesmos que teve de enfrentar em França, mas a experiência vai seguramente servir-lhe.

Porquê Montreal? – «Foi uma escolha que eu fiz. Depois da França passei algum tempo em Lisboa. Havia vários postos disponíveis e eu candidatei-me para vir para aqui. Estou contente por mo terem dado. Julgo que é uma boa razão para eu fazer um bom trabalho aqui, como penso vir a fazê-lo. Penso que isto funciona sempre melhor quando se vai para alguma coisa de que se gosta do que quando se vai contrariado».
Evidentemente que Montreal não é Versalhes. Montreal tem especificidades próprias. Não obstante, Carlos Oliveira está convencido que as características são semelhantes e as preocupações das comunidades são as mesmas tanto deste como do outro lado do Atlântico. «Eu julgo que é a aproximação que se faz às pessoas quando ela é genuína (que conta), embora seja necessário porventura pequenos ajustes» – esclareceu.

Como é que vai abordar a comunidade. Com quem é que pensa contar para lhe facilitar esse contacto? – «Estou a tentar conhecer as várias associações e tentar conhecer as pessoas que me dizem serem as mais relevantes no contexto da comunidade. Essa aliás vai ser a minha ocupação fundamental nos tempos que se avizinham. Já está a acontecer e vai continuar a acontecer.»
Efectivamente, nos poucos meses que tem estado entre nós é evidente que o novo cônsul-geral tem procurado activamente aproximar-se da comunidade. Vimo-lo nos primeiros dias da sua chegada no Centro Santa Cruz, por ocasião da visita da Directora Regional das Comunidades Açorianas, Alzira Silva, onde fez a sua primeira apresentação. Vimo-lo depois no Consulado onde tinha convidado as chamadas forças vivas da comunidade para fazer a sua apresentação oficial. Vimo-lo ainda dirigir-se aos jovens no dia da inauguração do site do Carrefour Lusophone. E vimo-lo recentemente numa festa familiar do Benfica a inteirar-se dos problemas associativos como já noticiámos.
É mais que evidente que o novo cônsul-geral tem mostrado interesse em conhecer a comunidade. Proximidade, disponibilidade e abertura parece ser o seu lema. «Há um princípio inicial que tenho manifestado e que tentarei seguir. Proximidade com a comunidade. Esta é a minha linha de acção e penso que isso vai acontecer». Relativamente à sua acção junto dos portugueses afirmou-nos que tem dois objectivos: o primeiro é o envolvimento dos jovens. O segundo é a integração dos portugueses. «A Comunidade deve abrir-se à sociedade de acolhimento e ter uma presença cada vez mais efectiva (nesta sociedade). Tudo farei para tentar facilitar essa integração».

Mas acha que é possível a integração sem um desenraizamento das origens? – «Não só penso que é possível como penso que é essencial. Nós temos várias gerações e cada geração terá a sua sensibilidade. Geralmente é a terceira geração que vai conciliar esses dois aspectos. Eu acredito que o futuro se fará pela preservação das raízes, pelo batalhar pela língua portuguesa, e fazendo valer e dar a conhecer os valores portugueses. Esse é um dos meus objectivos.»

Qual é o papel que pensa que o consulado deve ter junto das associações portuguesas?
«Há uma responsabilização recíproca entre associações e o Cônsul. É preciso manter um diálogo. A primeira carta que mandei aos dirigentes associativos foi para lhes dizer que estava cá, que se quiserem vir conhecer-me, estou aqui. E eu tenciono dar seguimento a isso. Tenho alguma esperança que todos nós – que estamos no terreno – cada um na sua missão, possamos ajudar-nos uns aos outros. (Mas) também é preciso que as associações o queiram, não tenho nenhuma ideia de qualquer carácter autoritário sobre as associações, se eu vou fazer esta démarche julgo que daí pode haver alguma coisa de útil para todas as partes e isso também é a função do cônsul.»

E do ponto de vista cultural, das relações com a sociedade quebequense? – «Eu também pretendo desenvolver um programa cultural. Dinamizar este espaço. O espaço consular é o espaço de todos os portugueses e eu gostaria que este espaço não fosse um espaço morto. Temos ali uma sala que pode ser um espaço de diálogo e de ligação intracomunitário. Neste momento não tenho produtos culturais mas espero vir a tê-los. Espero poder fazer exposições. Temos artistas na comunidade. Espero que possam aproveitar-se deste espaço. Dizem-me que o espaço é pequeno, que não vai ser fácil... mas acho que se deve tentar. Tenho algumas ideais do que se deve fazer mas não tenho nenhum figurino».

E quanto ao funcionamento do Consulado, horários, atendimento, assistência? – «Julgo que o horário do consulado já foi alvo duma ampliação. Em princípio não há discrepância entre os nossos horários e outros semelhantes. Não tenho razões para vislumbrar alterações, nem tenho tido queixas. Sei que tem havido disponibilidade de alguns funcionários para casos pontuais, sobretudo para pessoas que vivem longe de Montreal. Isto quer dizer que há uma certa flexibilidade com pessoas que não se podem deslocar. Mas estou aberto a sugestões.»

Falando das pessoas que vivem longe de Montreal, o Sr. cônsul Carlos Oliveira informou-nos que o cônsul honorário de Halifax já está autorizado a fazer certos despachos que até aqui tinham que ser resolvidos em Montreal.

Será que vamos a ter outra vez um vice-cônsul? – «O consulado hoje tem menos funcionários que já teve. Mas não é por se ter mais que se tem melhor. Presentemente, creio que há algumas falhas. Havia uma pessoa que estabelecia os contractos com os grupos associativos e essa pessoa foi para a reforma e não foi substituída. Esta talvez seja a situação mais preocupante em termos de funcionários. De resto não me parece que haja falta de funcionários. Em termos práticos pouco importa se vamos ter um vice-cônsul ou um chanceler. Não é isso que faz a diferença. Se tivermos um mau vice-cônsul e dois bons chanceleres é preferível ter os dois bons chanceleres. Neste momento o posto tem as pessoas suficientes para aquilo que é preciso fazer. Hoje há uma estagnação no número dos actos consulares.»

Em forma de despedida, confidenciou-nos o Dr. Carlos Oliveira – «Pelo pouco contacto que já tive com as autoridades canadianas acho que este país é um bom país acolhimento».


 
 

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