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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume VIII - Nº 108 - Montreal, 15 de Dezembro de 2004

     
     
Editorial  
Novo Cônsul-geral gera expectativas  
 
Nos últimos 50 anos a comunidade portuguesa do Quebeque teve a oportunidade de conhecer vários cônsules. Alguns deixaram boas recordações, outros deixaram recordações que eram preferível esquecer, outros nem sequer deixaram recordações nenhumas. Qual será a marca que o novo cônsul vai deixar na memória colectiva da comunidade? O futuro o dirá!
Porque não se conhecem os desígnios nem as prioridades que governam o Palácio das Necessidades quando se trata de distribuir cargos e missões, é natural que se apreenda sempre a chegada dum novo representante do governo português para dirigir este consulado. A questão que no fundo todos nos pomos é a de saber se desta vez é que vamos ter um cônsul que consiga aglutinar à sua volta as forças dispersas e assim conseguir uma melhor coesão para fazer avançar uma comunidade que se definha. O peso do todo é sempre superior à soma das suas partes.
Não somos sebastianistas, nem se espera do novo Cônsul que seja um líder emblemático que venha excitar a fibra patriótica. Mas espera-se que, como servidor do estado português em terra de emigração, se debruce atentamente sobre os dossiers que recebeu em herança. Mesmo se Montreal não é um milestone no périplo duma carreira diplomática que impressione os funcionários do Largo do Rivas, temos o direito de esperar que, como comunidade, saiamos mais reforçados com um empenhamento activo do novo cônsul.
Foi para saber com quem a Comunidade podia contar que o LusoPresse foi encontrar o Dr. Carlos Oliveira, novo Cônsul-geral de Portugal em Montreal, nas agradáveis instalações consulares do 2020 University, em Montreal.
O tempo tinha começado a arrefecer naquela sexta-feira à tarde. A cidade tinha-se iluminado de mil luzes natalícias. Do alto das janelas do consulado, com o Mont-Royal em pano de fundo, via-se o palpitar da urbe cosmopolita, formigueiro apressado que se apronta a enfrentar o Inverno. Perdidos no barulho da cidade, milhares de compatriotas - da humilde mulher a dias ao financeiro reputado, passando pelo mediatizado artista ou pelo ignorado científico - prosseguiam nas suas azáfamas, completamente alheios para não dizer indiferentes ao motivo deste encontro.
O encontro não se desenrolou como tínhamos previsto. Trazíamos um rol de temas para serem discutidos. Desde as questões do atendimento ao ensino da língua. Dos casos de extradição aos serviços consulares fora de Montreal, dos ex-combatentes às questões da nacionalidade, entre outros. O Dr. Carlos Oliveira, pela sua parte, tinha previsto uma entrevista para melhor se dar a conhecer à comunidade e nos falar dos seus projectos em relação à Comunidade. Quanto a nós, estávamos convencidos que as apresentações já tinham sido feitas por diversas ocasiões.
Deitando uma vista de olhos ao enumerado dos assuntos que tínhamos a propor-lhe respondeu-nos com uma franqueza desconcertante que no pouco tempo que cá está, não podia estar em condições de nos por ao corrente da maior parte dos assuntos que lhe queríamos submeter, muitos dos quais ignorava totalmente. As nossas questões eram «acutilantes», no seu dizer, e que isso era bem uma prova de quanto temos a peito os interesses da comunidade – nisto não se enganou. Fizemos-lhe então a seguinte proposta: – que lhe iríamos submeter, por escrito e detalhadamente, todas as questões que tínhamos previsto e aguardaríamos o tempo que julgasse necessário e razoável, para as estudar e dar uma resposta. Entretanto abrimos-lhe as nossas páginas para que nos falasse de si, dos seus projectos e da visão do seu mandato.
Foi o resultado deste encontro que hoje apresentamos aos nossos leitores.
A continuação, portanto, para daqui a uns meses.


 
 

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