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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume VIII - Nº 107 - Montreal, 1 de Dezembro de 2004

 
Dever de memória.  
Oito anos!  
Editorial de Carlos de JESUS  
Com este número, estamos a entrar no oitavo ano de vida do LusoPresse. Oito anos na vida duma pessoa não é nenhuma data em particular. Aos oito anos ainda se é criança. Já se sabe ler, escrever e contar. Já se começa a olhar para a sombra, mas o futuro ainda está muito distante. Na vida dum jornal comunitário, vivendo da vontade de um e da carolice de muitos, é um facto que deve ser sublinhado.

Oito anos! Nem tudo tem sido fácil. Muito pelo contrário. Pessoalmente estamos cá há pouco tempo, mas o suficiente para compreender quantas lutas foi preciso travar para chegar até onde chegámos. Dificuldades técnicas, administrativas, e financeiras, entre outras. Por outro lado, em cada número que vem para a rua, é impagável ver a expressão de muitos da comunidade que nos pegam para ler. Mês após mês, e agora, quinzena após quinzena, o LusoPresse sempre se esforçou para que o produto final fosse ainda melhor que o precedente. Provavelmente nem sempre se conseguiu, mas podem estar certos que esse tem sido o nosso objectivo último.

Em cada número que preparamos, a nossa principal preocupação é de nos perguntarmos a nós próprios: «Será que estamos a responder às expectativas dos leitores?» E quando o jornal está na rua, perguntamo-nos – «será que vão gostar?» Sim, porque de nada vale tanto esforço se o leitor estiver ausente. Sabemos que não está, e a prova é que você nos está lendo. E esse é o acto mais gratificante que esperamos do nosso empenhamento. Não para consolar egos, mas para compensar o esforço, o voluntariado, o bem-querer por uma comunidade que, em terras de diáspora, quer manter vivas as raízes transplantadas do alfobre natal. E este bem-querer não se exprime somente nas páginas do jornal. Todas as iniciativas de que o LusoPresse tem deitado mão para melhor exprimir a vitalidade da comunidade são outras tantas provas de afeição. Desde os grupos de jovens, à celebração do Dia da Mulher, passando por um sem número de actividades culturais de iniciativa própria, o LusoPresse tem sido, mais do que uma testemunha privilegiada, um participante activo e, muitas vezes, um empreendedor original. Para confirmar o que dizemos, aí vamos ter a vinda, no próximo dia 17 de Dezembro, dos autores do livro «Jovens Portugueses e Luso-descendentes no Canadá: Trajectórias de Inserção em Espaços Multiculturais», os Drs. José Carlos Teixeira e Armando Oliveira, que se dignaram juntar a nós para lançar a sua obra comum. (Ver notícia neste número).

E assim, com confiança vamos avançando. Quinzena após quinzena, para relatar, registar, promover, incentivar, e enriquecer uma comunidade de língua e de destino comuns. Recebemos elogios, críticas, conselhos, apoios e, como não podia deixar de ser, calúnias também. Mas, como se costuma dizer, não se pode agradar a todos. A verdade é que precisamos de toda a comunidade. Sem o vosso apoio, incentivo e crítica objectiva não podíamos estar hoje a celebrar esta data. O crescimento deste vosso jornal só poderá concretizar-se na medida em que a comunidade se sinta corresponsável no seu desenvolvimento.

Passageiros da nau da vida, aportados a esta terra pelos ventos do destino, sondamos o futuro à espera que as marés não apaguem as nossas pegadas para que os vindouros, mesmo se reclamando doutras fidelidades, não esqueçam que existimos.