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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume VIII - Nº 107 - Montreal, 1 de Dezembro de 2004

 
Johnny Almeida, ex-futebolista...  
À frente do Restaurante Casa Vinho  
Reportagem de Norberto Aguiar  
Aberto há sensivelmente oito meses, o Restaurante Casa Vinho tem como responsável máximo um antigo nosso atleta na Selecção Portuguesa do Quebeque, que é o Johnny Almeida, um jovem com uma história bonita para contar. No entanto, hoje, por razões de economia de tempo e de espaço, vamos cingir-nos, quase, à sua condição de homem que está à frente dum estabelecimento comercial, neste caso um restaurante.
A conversa começou depois de um almoço com o nosso amigo José Teixeira, que não conhecia o Casa Vinho e que, segundo disse, «gostei, por isso vou cá voltar».
«A minha companheira, com quem vivo há vários anos – têm uma menina – tinha o curso de pasteleira. E aprendeu cozinha. Ora, meu irmão, que é dono deste espaço, concordou em mo alugar – estava vazio desde que daqui saiu o restaurante Senhor Vinho, propriedade dum português. Pensei que assim a Lorraine – nome da mulher – poderia trabalhar por nossa conta. Foi assim que isto nasceu», completa Johnny Almeida.
Já com clientela fidelizada, coisa que não foi fácil, pois adianta que «com o encerramento do antigo restaurante, que chegou a fazer parte de grandes reportagens televisivas gastronómicas, prejudicou um bocado o nosso aparecimento. Digamos que as pessoas desconfiavam dos nossos propósitos no princípio. Não foi fácil convencer os clientes de que não tínhamos nada a ver com o restaurante antigo. Agora, com muito esforço e abnegação, as coisas estão a correr melhor. Estamos, é a palavra correcta, em fase de crescimento. E se conseguirmos manter este nível, em breve estaremos no patamar pretendido», diz o homem que de excelente futebolista – era guarda-redes, do tempo do malogrado Jacinto Oliveira, na altura os dois melhores Keeper’s lusos do Quebeque - passou a gerente de restaurante.
Para além de ter de convencer que o Casa Vinho não era o Senhor Vinho, Johnny Almeida também nos disse que outra dificuldade encontrada no início se prendeu com o recheio do restaurante. «Quando cá entrei isto nada tinha. Estava completamente nu. Daí, outro grande esforço, que foi preciso fazer. Depois, quando começámos só tínhamos grelhados. Os clientes chegavam e tinham de esperar muito tempo. Não havia alternativas. Perdemos clientela. Fomos analisando o que se passava. Com a radiografia feita, decidimos abrir o restaurante a uma gastronomia diversificada, mas de índole portuguesa, sem no entanto abdicarmos dos grelhados. Agora podemos dizer que a escolha foi a melhor e talvez a única que podia ter sido tomada. Estamos contentes com o rumo dado. Mas também aqui apareceram algumas dificuldades. Havia que ter cozinheiros portugueses porque a Lorraine é natural da Gaspésie. Entretanto, passaram por cá alguns... mas só há pouco tempo é que criámos a estabilidade necessária com uma cozinheira portuguesa que esteve num restaurante da comunidade durante 18 anos. A Lorraine tem aprendido muito com ela. Hoje já não temos problemas daquele cariz. E são os clientes os nossos juízes. Por isso estamos muito contentes».

Falando da Lorraine Longuepée
Conhecemo-la faz anos, quando andávamos pelos campos de futebol de Montreal atrás – ou à frente?! – duma equipa de futebol e ela já acompanhava o seu Johnny, que era, como já dissemos, um excelente guarda-redes, tendo jogado pelo Sporting, Lusitano e, sobretudo, pela Selecção Portuguesa do Quebeque. Agora, anos mais tarde, temo-la como chefe do Restaurante Casa Vinho. Nesta visita, para além da conversa com o Johnny, também quisemos falar com ela, muito embora não tenha sido fácil. As perguntas que lhe pusemos incidiram necessariamente sobre a sua evolução quanto à cozinha portuguesa. «Agora já estou mais à vontade. Os professores têm sido bons, principalmente agora com a Senhora Rosa Pais. Mas é verdade que tive momentos de descrença. Eu que gosto da diferença, achei a cozinha portuguesa difícil. O sal, o alho, a pimenta, a cebola, têm muita influência na gastronomia portuguesa. E eu tive dificuldades com isso. Mas, como já disse, agora já estou mais adaptada». E quando se lhe pergunta quais os pratos mais difíceis a preparar, ela logo adianta que «é a Feijoada». «E os molhos», apressa-se a completar. Quanto aos mais fáceis, Lorraine Longuepée fala-nos do bacalhau – que já comia na Gaspésie, embora preparado diferentemente – e das sardinhas. A última coisa que me disse ainda a propósito da nossa cozinha foi que «os Portugueses são muito exigentes», no bom sentido, claro, queria ela dizer.
Como fim de conversa bifurcámos para a sua condição de companheira dum Português. «Damo-nos muito bem. Temos uma filhinha, com dois anitos já em Dezembro e que se chama Rosalie. Quando for maior, ela há-de ir para a escola portuguesa». Com esta tirada, perguntámos-lhe se falava a nossa língua. «Eu compreendo quase tudo mas não falo. A culpa é do Johnny que não me fala em português. Mas penso que quando a menina for maior vai ser mais fácil para mim».
Oxalá que assim seja. Teremos então mais uma falante lusófona.

Restaurante Casa Vinho
3750, rua Masson – Montreal
Tel.: (514) 721-8885

O Casa Vinho também tem serviço a domicílio. Exemplos de preços: ½ galinha, 7.00$; bacalhau assado, 14.50$; carne de porco à alentejana, 13.95$. A garrafeira também é portuguesa.