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www.lusopresse.com - Editor: Norberto Aguiar - Director: Carlos de Jesus

Volume VIII - Nº 107 - Montreal, 1 de Dezembro de 2004

 
Na TV Ontário  
Bruno Patita no Projecto «Jevitavie»  
 
Bruno Patita é um jovem luso-canadiano de 13 anos de idade, nascido em Montreal. Gosta de desporto em geral e do futebol em particular. Pratica esta última modalidade há cerca de seis anos. Joga na equipa de Saint-Michel Pompei, uma organização de origem italiana mas que conta com muitos atletas de origem portuguesa. E pelo facto de ser jogador de futebol e falar bem Português – para além do Francês e do Inglês, claro – o Bruno foi escolhido para fazer parte dum programa televisivo, de nome «Jevitavie», da TV Ontário, que põe em evidência jovens de várias comunidades, do país e fora dele, ou de jovens canadianos das várias províncias canadianas. As relações interpessoais são o «prato forte» do «Jevitavie».
Escolhido entre 17 candidatos por ter sido o que melhor correspondeu aos critérios dos responsáveis pelo projecto da TV Ontário, Bruno Patita acabou por seguir um trajecto muito interessante, que o vai levar ao ecrã televisivo, qual actor de cinema.
Convidado a seguir o percurso e orientação do projecto, o LusoPresse assistiu às primeiras filmagens, que foram feitas em casa do Bruno – que é filho do Rogério Patita, ex-jogador do Clube Portugal de Montreal, e no ginásio da École Lucien Pagé, ali mesmo, na rua Jarry. Antes, porém, apetece contar como o Bruno aparece no projecto.
Enquanto decorria a selecção para escolha do jovem futebolista, que tinha de ser de origem portuguesa e que falasse bem o nosso idioma, Rudy Doliscat, antigo jogador do Impacto de Montreal e actual director técnico da Associação Regional de Futebol Concórdia (Montreal) telefonou ao Rogério pondo-o ao corrente do que se estava a passar. «O teu filho tem condições para ser o escolhido do projecto. Autorizas que ele participe?», perguntou-lhe Doliscat.
Apaixonado por futebol, e sabendo que o filho adoraria a experiência, respondeu ao canadiano de origem haitiana afirmativamente. «Vou falar com o meu filho. Mas penso que ele vai dizer que sim» – disse. E foi, embora chegando mesmo em cima da hora. O ser jogador, que era fundamental, e o saber falar bem a nossa língua, ajudou bastante na decisão dos mentores do programa. Outro aspecto fundamental foi como o Bruno enfrentou as câmaras. «Estou convencido que a diferença final fez-se perante a objectiva», considerou o pai Patita.
Gravações em casa, seguidas das obtidas no ginásio, aqui junto dos colegas de equipa e dos treinadores, e lá vamos a caminho do Rio de Janeiro, no Brasil, onde Bruno Patita teria que «dialogar» com um jovem da sua idade, que jogasse futebol e que fizesse parte de uma das favelas cariocas.
A partida para o Rio de Janeiro, via Miami, foi a 2 de Novembro. O regresso, agora por São Paulo e Nova Iorque, foi a 9. No entremeio ficou o encontro com o Diego, de 12 anos, fã do Flamengo mas a jogar nos infantis do Vasco da Gama. Apesar disso, o Diego, que marcou sete golos no desafio entre os jogadores da escola de futebol «Nova Safra», que serviu de «pano de fundo» para as filmagens do «Jevitavie», da responsabilidade do Jota Jota, qual Jacinto João de 73 anos de idade, não abdica de actuar perante os seus, junto dos amigos da favela. De salientar que o Bruno também marcou dois golos, fazendo parte da mesma formação do Diego, amigos inseparáveis por força das circunstâncias. De resto, na semana que durou a estada em solo brasileiro, o Bruno e o Diego viveram momentos muito bonitos. Jogaram juntos, foram ver o Flamengo – Garani (1-0) juntos, foram à escola – do Diego – juntos, aqui o Bruno foi «conferencista», os alunos e professores quiseram saber de onde ele vinha, como era o Canadá – onde a neve foi vedeta – e quiseram saber tudo sobre a confusão de ele ser canadiano/português, para mais falando três línguas! A festa de despedida entre a delegação do Canadá e o Diego foi feita em casa dos seus familiares. Os produtores (dois operadores de câmara e dois técnicos de som) mandaram os dois jovens para o mercado à procura dos alimentos para o churrasco, ao mesmo tempo que eram filmados. «Foi muito interessante», conta o Rogério.
Como apreciação final, filho e pai contam que passaram uma experiência inesquecível. Contaram que «o Rio deve ser a cidade mais linda do Mundo. De certeza que é a mais arborizada de todas. Mesmo no interior da cidade há muitas montanhas. São paisagens deslumbrantes. Gostei de visitar o Pão de Açúcar, as Praias do Ipanema, Copacabana, Vermelha. E não posso esquecer o Maracanã. Sabes lá o que é pisar a relva do maior estádio do Mundo...» – chegou a albergar 220 mil pessoas, agora menos.
Quanto à criminalidade, Rogério Patita diz que não se apercebeu de nada. «Na baixa da cidade é tudo normal como noutra cidade qualquer. Nas favelas estivemos sempre acompanhados e não vi nada de anormal, a não ser gente muito pobre... Mas isso não é novidade para um país onde não há classe média. No Brasil ou se é muito rico ou se é muito pobre. O ordenado mínimo é de 250 reais por mês e só a renda da casa custa 450... Por isso há muita gente a viver na mesma casa», diz amargurado o Rogério.
De regresso ao Quebeque, Bruno Patita voltou ao seu dia-a-dia de aluno do oitavo ano de uma escola de Sports/Études, do sexto ano da escola portuguesa e à integração na sua equipa de futebol do Pompei. Por sua vez o pai, Rogério Patita, regressou ao seu trabalho na construção, «onde, diz, me sinto muito bem» e que lhe dará, dentro de alguns anos, «uma reforma muito boa».
Quanto aos produtores da emissão televisiva, os dois do Quebeque ficaram no Brasil mais uma semana – os outros dois eram franceses mas que vivem no Brasil há muitos anos.